Movimentação Controversa no Cenário Político
MANAUS (AM) — Enquanto a atenção da política amazonense estava voltada para as cartas de renúncia e mudanças no Palácio da Compensa, uma ação silenciosa, mas de grande impacto no patrimônio público, foi oficializada. No Diário Oficial do Estado datado de 1º de abril de 2026 — último dia de Wilson Lima (União Brasil) como governador — foi sancionada a Lei nº 8.158, autorizando a doação de um terreno de 5 mil metros quadrados a uma organização religiosa.
O terreno em questão não é um espaço qualquer. Ele está localizado na Avenida Margarita, no bairro Cidade de Deus, exatamente em frente ao Museu da Amazônia (MUSA), uma das áreas de maior destaque e valor ecológico ao norte de Manaus. A beneficiária desta doação é a Igreja Evangélica Assembleia de Deus do Brasil no Amazonas, que tem sede no bairro da Glória.
A Doação: Um Presente Controverso
A doação, que foi aprovada pela Assembleia Legislativa em regime de urgência e sancionada por Wilson Lima a poucas horas de deixar seu posto para concorrer ao Senado, levanta questões sérias sobre a natureza pública dessa medida. Com dimensões de 50 metros de frente por 100 metros de fundos, o terreno foi destacado de uma área maior pertencente ao Estado.
Informações coletadas pelo Portal Remador indicam que a rapidez com a qual o projeto foi tramitado e finalmente sancionado no último dia de governo de Lima sugere um possível “agrado” político em meio ao início da disputa eleitoral. Apesar de a Lei Estadual nº 2.754/2002 exigir o cumprimento de determinados requisitos para a doação, a destinação de uma área tão expressiva em uma região de preservação e turismo para uma entidade privada específica tem gerado polêmica.
“É uma notícia que tende a passar despercebida em meio ao turbilhão político. Doar 5.000 m² em frente a um museu internacional como o MUSA, no último minuto do mandato, requer uma explicação clara sobre qual é o benefício real para o cidadão comum que paga impostos”, afirmam especialistas jurídicos ouvidos pela reportagem.
Questionamentos Sobre a Transparência
A sanção da lei também conta com a assinatura de Vivaldo Michiles Neto, que era o Secretário de Estado de Administração e Gestão na época. A utilização de bens imóveis do Estado para doações a instituições religiosas é um tema delicado e frequentemente alvo de investigações do Ministério Público, devido a possíveis desvios de finalidade ou favorecimentos.
Com a nova gestão sob Roberto Cidade, surgem dúvidas sobre a continuidade da doação e se haverá uma revisão das decisões tomadas no “apagar das luzes” da administração anterior. O Portal Remador acompanhará de perto os desdobramentos deste caso, bem como a possível abertura de um inquérito pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM) para examinar a legalidade e a moralidade dessa transferência de patrimônio público.
