O Crescimento do Empreendedorismo Feminino
No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, as histórias inspiradoras de mulheres que superam desafios e transformam oportunidades em empreendimentos ganham destaque. No Brasil, o empreendedorismo feminino tem se consolidado como um motor vital para a autonomia econômica, inovação e impacto social. Cada vez mais, mulheres estão à frente de negócios que não apenas geram renda, mas também fortalecem comunidades e abrem caminho para novas empreendedoras.
Mais do que uma simples tendência, a crescente presença feminina no cenário empresarial evidencia uma força protagonista que pode provocar mudanças significativas na economia e na sociedade como um todo.
História de Resiliência: Monique Elvis
A trajetória de Monique Elvis é um exemplo notável dessa realidade. Natural de Ilhéus, na Bahia, ela iniciou sua jornada empreendedora vendendo chips de celular nas ruas, enquanto cursava Direito. Mesmo enfrentando limitações financeiras, Monique organizou uma equipe de mulheres e transformou essa atividade em sua principal fonte de renda.
Com um olhar atento para oportunidades, Monique decidiu ir além e abriu sua primeira loja de acessórios para celular. Para diferenciar seus produtos, ela passou a viajar frequentemente a São Paulo em busca de novidades que ainda não estavam disponíveis no comércio local. Com o crescimento do negócio, houve a necessidade de expandir e abrir novas unidades.
No entanto, a pandemia e as constantes mudanças no funcionamento do comércio trouxeram desafios inesperados. Durante esse período crítico, Monique adaptou seu modelo de vendas, fortalecendo sua presença no Instagram e implementando entregas por delivery para manter suas lojas em funcionamento.
Além disso, a empreendedora teve que reorganizar seu negócio após abrir uma loja em Trancoso, que acabou sendo fechada devido à falta de viabilidade financeira. Para recuperar seu capital de giro e fortalecer suas operações, ela contou com o apoio do Fundo de Impacto Estímulo, indicado pela Rede Mulher Empreendedora.
Esse crédito foi crucial para reforçar seu estoque e retomar o crescimento das lojas. Atualmente, Monique não apenas mantém suas unidades em operação e gera empregos para outras mulheres, como também criou um grupo local de empreendedoras, promovendo a troca de experiências e fortalecimento da rede feminina de negócios na região.
Uma Tendência em Crescimento
A história de Monique reflete uma tendência mais ampla no crescimento do empreendedorismo feminino. Dos mais de R$ 400 milhões gerados pelo Estímulo nos últimos cinco anos, aproximadamente um quarto foi direcionado a mulheres empreendedoras. Com atuação em todo o país, essa iniciativa já beneficiou mais de 1.650 mulheres em quase 400 cidades brasileiras.
Os dados são promissores: 35% dessas empreendedoras tiveram acesso ao crédito pela primeira vez, com um ticket médio de R$ 61 mil. Ao todo, a iniciativa impactou mais de 17 mil empregos, sendo que 89% das empreendedoras atendidas estão em regiões de baixa renda.
A Diversidade da Empreendedora Feminina: O Caso de Bárbara Ataide Alves de Oliveira
A história de Bárbara Ataide Alves de Oliveira também representa a rica diversidade do empreendedorismo feminino. Formada em Jornalismo, ela construiu sua carreira em redações e projetos de comunicação até perceber que sua narrativa poderia ter um impacto transformador: dar visibilidade a histórias, territórios e iniciativas que frequentemente ficam nas sombras.
A partir dessa visão, nasceu a Agência Lunga, com a missão de utilizar a comunicação estratégica para valorizar a cultura brasileira, os territórios e as pessoas que respiram vida nessas histórias. Atualmente, a agência trabalha em projetos relacionados à cultura, ao território e ao turismo responsável, colaborando com comunidades tradicionais, iniciativas de base comunitária e pequenos empreendimentos criativos, muitos dos quais são liderados por mulheres.
A Lunga vai além da simples divulgação de negócios; sua proposta é fortalecer identidades culturais e posicionar essas iniciativas no mercado. Nesse contexto, a comunicação se transforma de uma ferramenta de marketing em um agente de geração de renda, ajudando as comunidades a permanecer em seus territórios e ampliando a autonomia econômica das mulheres envolvidas.
As histórias de Monique e Bárbara ilustram que o empreendedorismo feminino transcende a mera criação de negócios. Ele simboliza, de fato, uma transformação social, o fortalecimento de redes e a abertura de novas possibilidades para mulheres em diversas regiões do Brasil.
