Desafios para a Expansão da Zona Franca de Manaus
A disponibilidade restrita de terrenos no Distrito Industrial de Manaus é considerada uma das principais barreiras para o crescimento da Zona Franca. Este cenário se configura como um impedimento significativo para a instalação de novos empreendimentos e foi amplamente discutido na 322ª reunião do Conselho de Administração da Suframa, ocorrida nessa segunda-feira (30 de março). O encontro mobilizou representantes do governo, do setor produtivo e autoridades municipais, todos em busca de soluções eficazes.
O superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, destacou a urgência de modernizar as diretrizes de concessão de lotes, a fim de tornar o processo de ocupação das áreas industriais mais ágil. “Se não implementarmos um procedimento mais dinâmico, corremos o risco de perder áreas importantes, especialmente nos Distritos 2 e 3”, alertou Montenegro, enfatizando a necessidade de alterações na Resolução 102.
Embora essa proposta tenha sido discutida, um conselheiro solicitou vista, resultando na não votação da medida. Montenegro ressaltou que o modelo atual, que se baseia em licitações periódicas e enfrenta problemas fundiários, não é compatível com o crescimento acelerado da demanda por novos negócios.
Pressão Sobre o Mercado, Mas Sem Colapso Imediato
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas (Sedecti), Serafim Correa, reconheceu a pressão crescente sobre o mercado, mas descartou a possibilidade de um colapso. “Não há colapso. O aumento no preço dos galpões e terrenos é real e precisamos aumentar a oferta para que esses valores se estabilizem. O crescimento da demanda está vinculado a um novo cenário institucional; a segurança jurídica proporcionada pelo presidente Lula e pelo ministro Geraldo Alckmin, junto com a reforma tributária, tem atraído novos investimentos para a Zona Franca”, afirmou Correa.
De acordo com o secretário, as discussões sobre a escassez de terrenos estão sendo realizadas em conjunto entre os órgãos públicos. A Suframa, a Sedecti e a Prefeitura de Manaus estão dialogando em níveis elevados, com a expectativa de que novidades surjam em breve.
Busca por Soluções na Expansão Territorial
Anderson Souza, presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), ampliou o debate, defendendo que a solução para a escassez de áreas deve incluir o aproveitamento de terrenos disponíveis em municípios vizinhos à capital. “O estado do Amazonas não se resume a Manaus. Há áreas que podem ser utilizadas, principalmente em localidades ao redor, como em Rio Preto da Eva”, declarou Souza.
Ele também criticou a subutilização de terrenos destinados ao distrito agropecuário, que, segundo ele, estão concentrados sem gerar produção efetiva. “Existem áreas que foram repassadas e nunca foram utilizadas. Precisamos reavaliar isso e liberar esses espaços para novos investimentos”, comentou.
Souza citou municípios como Rio Preto da Eva e Presidente Figueiredo para enfatizar a importância de uma abordagem mais integrada na modelagem da Zona Franca, promovendo a expansão territorial e a descentralização produtiva.
Setor Produtivo Se Mostra Preocupado
A preocupação com a falta de terrenos foi reforçada pelo presidente da Eletros, Jorge Nascimento Júnior, que classificou essa escassez como um obstáculo imediato à expansão industrial. “Atualmente, isso já é um impeditivo. Muitas empresas estão deixando de se instalar em Manaus devido à falta de áreas disponíveis”, afirmou Nascimento Júnior.
Ele acrescentou que essa situação era esperada, dado o aumento da atratividade do polo industrial após a reforma tributária. “O ambiente melhorou, os investimentos estão chegando, mas a infraestrutura territorial não está acompanhando esse crescimento”, completou.
Planejamento Estratégico para Sustentar o Crescimento
José Augusto Rocha, presidente do Conselho Superior do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), também enfatizou a importância de um planejamento estratégico para viabilizar o crescimento da indústria na Zona Franca. “A indústria da Zona Franca está presente em praticamente todo o Brasil. Precisamos garantir as condições necessárias para que ela continue a expandir”, afirmou Rocha.
