Reflexões e Críticas ao Modelo de Desenvolvimento
Em evento realizado em 23 de dezembro, o Fórum das Águas do Amazonas promoveu uma confraternização natalina em Manaus, que reuniu diversas lideranças de movimentos sociais e organizações da sociedade civil. O encontro, que teve lugar no Espaço Loyola, serviu como um espaço para refletir sobre as ações do coletivo ao longo do ano e fortalecer laços entre aqueles que se opõem à mercantilização da natureza.
O clima festivo não escondeu as preocupações dos participantes, que celebraram a atuação do Fórum na defesa do acesso à água e do saneamento básico. Durante as discussões, foram abordados os desafios impostos pelo que muitos chamam de capitalismo predatório, que tem devastado a biodiversidade amazônica, eliminado culturas locais e promovido a pobreza e a desigualdade social. A crítica é direcionada ao modelo de desenvolvimento vigente, que favorece um pequeno grupo de empresários e políticos, enquanto ignora as necessidades da população.
Denúncias Contra a Concessionária de Água
Ao apresentar as ações do Fórum, um dos coordenadores ressaltou a situação da população de Manaus frente à empresa Águas de Manaus, que pertence ao grupo Aegea Saneamento e Participação. A liderança mencionou diversas denúncias feitas por moradores de comunidades da periferia, que relataram problemas como faturas exorbitantes, cobranças por serviços não prestados, além de questões relacionadas à qualidade da água e à má gestão do esgoto. O sentimento de insatisfação é palpável e reflete a falta de fiscalização e transparência da concessionária.
Além disso, a empresa é acusada de tentar desmobilizar a resistência da sociedade civil por meio da cooptação de lideranças comunitárias, oferecendo presentes e promoções em troca de apoio. Um dos cidadãos que se recusou a ser cooptado criticou essas práticas, afirmando que elas vão na contramão do interesse público. “Ao presentear líderes comunitários, a Águas de Manaus não está ajudando a população, mas, sim, tentando comprar sua lealdade”, destacou.
A Importância do Fórum das Águas
Muitos participantes do Fórum ressaltaram a importância desse espaço para fomentar o debate sobre saneamento básico na Amazônia. O vereador José Ricardo (PT) compartilhou insights de seu livro, “Lutas e Movimentos Sociais no Amazonas”, onde descreve a trajetória do Fórum e seus esforços pela preservação das águas e uma política pública de saneamento que seja efetivamente inclusiva e sustentável.
O ex-vereador Waldemir José relembrou a crise hídrica que afeta Manaus, um problema que se arrasta há mais de 25 anos, agravado pela privatização da água e esgoto. Ele mencionou as Comissões Parlamentares de Inquérito instauradas ao longo dos anos para investigar as falhas do setor privado nesse serviço essencial. Waldemir enfatizou que o Fórum das Águas é essencial para dar voz à insatisfação popular e expor as deficiências dos serviços prestados pela concessionária.
Fortalecendo as Parcerias e a Mobilização Social
As discussões durante o evento também abordaram a relevância das parcerias entre movimentos sociais e organizações civis para enfrentar as políticas neoliberais que perpetuam a exploração da natureza e das comunidades. A crítica ao modelo capitalista que favorece os mais ricos e marginaliza os mais vulneráveis foi uma constante, sinalizando a necessidade de criar espaços de diálogo que promovam a valorização da vida.
Participantes afirmaram que a defesa dos direitos humanos e da natureza requer uma mobilização contínua da sociedade civil, que deve se unir para garantir a preservação dos bens comuns e construir um futuro sustentável para as próximas gerações. A frustração com os pequenos avanços nas conferências globais sobre mudanças climáticas, como a COP30, reflete um sentimento geral de que soluções efetivas não estão sendo priorizadas pelos países mais poderosos.
Celebrando a Esperança e a Resistência
Em clima natalino, o Fórum das Águas se posiciona como um símbolo de esperança em um contexto de constantes ameaças ao meio ambiente e aos direitos humanos em Manaus e na Amazônia. Os participantes foram unânimes em afirmar que, mesmo diante de desafios imensos, a luta pelo bem comum deve continuar, estimulando sonhos que impulsionam ações concretas.
A mensagem final do evento foi clara: é preciso sonhar coletivamente e resistir contra aqueles que ameaçam a vida em todas suas formas. O Natal e o Ano Novo não apenas marcam uma passagem no calendário, mas também nos lembram da importância de manter a fé e a esperança em tempos difíceis, renovando o compromisso com a proteção ambiental e social.
