Detalhes da Operação Revelam Conexões Criminosas
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) desvendam um esquema fraudulento que envolveu descontos irregulares em benefícios do INSS, afetando aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024. Os desvios financeiros, conforme apontam as investigações, podem totalizar impressionantes R$ 6,3 bilhões. Essa informação está detalhada no relatório da PF que foi mencionado na decisão do ministro André Mendonça, responsável por autorizar a operação.
A deputada federal Maria Gorete Pereira, do MDB-CE, se tornou alvo de medidas cautelares, incluindo a imposição de tornozeleira eletrônica e outras restrições judiciais. Sua defesa, no entanto, nega qualquer prática ilícita e afirma que as informações divulgadas não refletem a veracidade dos fatos. A parlamentar, de acordo com a nota, está confiante no processo legal que se segue.
Além de Gorete, a operação resultou na prisão preventiva do empresário Natjo de Lima Pinheiro e da advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente de associações de aposentados e pensionistas no Ceará. O Ministério Público Federal (MPF) indicou que existem elementos suficientes que vinculam a deputada a um papel como articuladora política, com envolvimento em negociações com órgãos públicos e recebimento de valores por meio de intermediários e empresas de fachada.
Desvio de Recursos e Pagamentos de Propinas
Segundo as investigações, a PF identificou que houve pagamento sistemático de propinas, incluindo repasses significativos ao ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que foi preso em novembro do ano passado. De acordo com os extratos bancários analisados pela PF, entre abril de 2024 e janeiro de 2025, cerca de R$ 4 milhões foram transferidos para Stefanutto a partir de contas relacionadas a Cecília Rodrigues Mota.
A defesa de Natjo Pinheiro classificou sua prisão como desnecessária e desproporcional. Em nota, o advogado Bruno Queiroz ressaltou que desde abril de 2025, o investigado já enfrentava outras medidas de busca e apreensão, que, segundo ele, foram eficazes para mitigar qualquer risco de continuidade das fraudes.
Metodologia do Esquema Criminoso
Os investigadores revelaram que mensagens de celular encontradas no aparelho de Cecília indicam que ela facilitava o pagamento de propinas a servidores do INSS para a implementação do esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. A documentação aponta que os pagamentos eram feitos a partir de recursos oriundos de empresas de Natjo de Lima Pinheiro, que transferia os fundos sob a nomenclatura “COMISSÃO BRASÍLIA BSB”.
Maria Gorete Pereira, conforme os documentos, utilizava sua influência política para estabelecer acordos com o INSS e mantinha comunicação direta com autoridades administrativas, além de pressionar funcionários para acelerar processos. A PF também destacou que seu nome estava presente em uma tabela de pagamentos de propinas, somando R$ 780.433,50, conforme revelado por mensagens entre Natjo e Cecília.
Conexões com Outros Envolvidos
A Polícia Federal também trouxe à tona transcrições de conversas entre Natjo e Cecília, que indicam pagamentos diretos a André Paulo Fidelis, ex-diretor de benefícios do INSS, e a Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS, ambos presos na quarta fase da Operação Sem Desconto.
No caso da deputada, a PF afirma que existem diversos indícios de sua participação em crimes contra o INSS por meio dos descontos indevidos. Documentos analisados sugerem que Maria Gorete frequentemente se comunicava com servidores do INSS, visando, mediante pagamentos ilícitos, garantir o credenciamento e a ativação de entidades associativas de aposentados nas quais ela tinha interesses.
A PF também menciona que a deputada estaria por trás de empresas de fachada, supostamente administradas por familiares e laranjas, utilizando essas entidades para facilitar o esquema criminoso. Além disso, indícios apontam para a recepção de grandes quantias de recursos ilícitos diretamente em sua conta bancária. A PF ainda afirma que a aquisição de um apartamento avaliado em mais de quatro milhões de reais, formalmente registrado em nome de uma empresa gerida pela sobrinha da deputada, deveria, na verdade, pertencer a ela.
Identificação dos Principais Envolvidos
A operação deflagrada pela PF resultou na prisão de dois alvos principais: Natjo de Lima Pinheiro e Cecília Rodrigues Mota. Enquanto isso, Maria Gorete Pereira, com 74 anos e carreira política de mais de quatro décadas, ocupa atualmente o cargo de deputada suplente na Câmara dos Deputados, tendo sido eleita em mandatos anteriores como vereadora de Fortaleza e deputada estadual, sempre sob o manto do MDB desde 2026.
A defesa da parlamentar reafirmou sua inocência, alegando que as informações são distorcidas e que ela sempre pautou sua trajetória pela integridade. O advogado que representa a deputada, Dr. Waldir Xavier, se manifestará publicamente após uma análise mais detalhada do caso.
