A Operação Erga Omnes e suas Implicações no Cenário Político
Advogados que estão acompanhando a Operação Erga Omnes interpretam a recente ação policial como um alerta severo para o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante). A situação é comparável a uma tempestade anunciada: a possibilidade de quedas e danos é iminente.
O cenário atual é marcado por suspeitas graves, principalmente após a prisão de sua assessora pessoal, Anabela Cardoso Freitas, e do empresário Alcir Queiroga Teixeira Júnior, que é proprietário da AK Agência de Viagens e Operadora de Turismo Ltda., também conhecida como Revoar Turismo. Este último estaria envolvido na venda de passagens aéreas para que David Almeida e sua esposa, Izabelle Almeida, desfrutassem do carnaval no Caribe em 2025.
Enquanto a versão oficial indica que o deslocamento ocorreu por meio de voos comerciais, há rumores de que, na realidade, o prefeito teria utilizado um jato particular. Tal discrepância gera ainda mais desconfiança sobre as práticas do gestor público.
Se David Almeida for mencionado nas investigações, existe a possibilidade de que ele seja incluído no processo, elevando assim a questão ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). É neste cenário que o temporal pode, de fato, se fechar sobre o prefeito.
Em uma coletiva de imprensa realizada em 13 de novembro do ano passado, Almeida insinuou que as decisões do Judiciário amazonense seriam influenciadas por interesses pessoais. Ele colocou em dúvida a imparcialidade ao afirmar que o senador Omar Aziz (PSD) estaria por trás de sete investigações autorizadas pelo TJ-AM contra ele.
As autorizações dos desembargadores ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM) foram concedidas apenas dois dias antes, no dia 11 de novembro, o que gerou uma onda de desconfiança. Ao fazer essas declarações, Almeida acabou por lançar dúvidas sobre a integridade de todos os magistrados envolvidos, uma vez que a reunião onde as autorizações foram dadas ocorreu no tribunal pleno, a instância máxima da Justiça estadual.
Magistrados consultados na época da coletiva evitaram se posicionar publicamente, mas o desconforto era palpável. Três meses depois, após a prisão de Anabela, a impressão é que os desembargadores reagiram, fazendo lembrar a declaração do prefeito de forma indireta.
O cenário não é favorável para David Almeida. Os procuradores do município fizeram esforços para que Anabela não fosse encarcerada, mas, surpreendentemente, o prefeito não obteve apoio nas suas tentativas de proteger sua assessora.
