Conflito Entre Garimpeiros e Polícia Federal
MANAUS (AM) e PORTO VELHO (RO) – Durante uma operação da Polícia Federal (PF) em combate à extração ilegal de ouro no Rio Madeira, garimpeiros proferiram ameaças a agentes da força-tarefa. A ação, que teve início na última sexta-feira, 27, foi gravada em vídeo, onde um homem é ouvido dizendo: “Vai morrer todo mundo, hein”, enquanto observa a aproximação de lanchas da PF. A operação ocorre em um afluente do rio e é marcada por tensão, com os agentes efetuando disparos para o alto como um aviso.
As gravações revelam ainda os garimpeiros dirigindo ofensas a figuras públicas, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Um dos homens atacou: “Eu te odeio Lula, filho da put*, presidente noiado vagabundo. Deixa o povo trabalhar, safado”, ao mesmo tempo em que uma mulher alertou: “Se tu falar essas coisas aí eles vão te prender, tá?”. O clima de hostilidade é palpável nas imagens, onde são ouvidos xingamentos e provocações durante a abordagem policial.
A PF, em nota, destacou que a Operação Leviatã II foi deflagrada em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (ICMBio) após a identificação de 47 motores, dragas e balsas utilizadas na atividade criminosa. A corporação classificou a situação como uma estrutura organizada com capacidade para exploração em larga escala.
Além disso, a PF informou que, diante da impossibilidade de remoção das embarcações, decidiu inutilizar os 47 motores e dragas no local, conforme a legislação pertinente. Após a operação, os materiais serão contabilizados e tratados de acordo com os trâmites administrativos necessários.
Investigações em Andamento
As investigações da PF continuam, com o intuito de identificar os financiadores, operadores logísticos e outros integrantes da cadeia criminosa, que são responsáveis pelo suporte material e pela venda do ouro extraído ilegalmente.
Esse não é o primeiro confronto entre garimpeiros e as forças de segurança. Em setembro do ano passado, em Humaitá (AM), agentes federais dispararam armas durante uma operação que destruiu dragas utilizadas no garimpo ilegal na região sul do Amazonas. A ação foi realizada a partir de uma determinação da Justiça Federal e resultou na destruição de mais de 70 dragas até o meio-dia da referida operação.
Imagens da época mostram moradores na orla do Rio Madeira enquanto uma aeronave de segurança sobrevoa a área. A operação conta com o apoio da Força Nacional de Segurança Pública, do Ministério Público do Trabalho, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas.
Recentemente, um pedido da Defensoria Pública do Amazonas para interromper o uso de explosivos na destruição de balsas foi rejeitado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ministro Francisco Falcão argumentou não haver evidências suficientes de ilegalidade ou abuso das ações realizadas pela PF e pelo Ministério da Justiça, permitindo que as operações sigam sem impedimentos.
