Operação Leviatã II em Foco
Na última sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, uma operação da Polícia Federal (PF) no Rio Madeira, que divide os estados de Amazonas e Rondônia, gerou uma intensa troca de ameaças entre garimpeiros ilegais e as autoridades. Durante a abordagem, um dos garimpeiros, em um vídeo que circulou nas redes sociais, proferiu uma ameaça direta: “Vai morrer todo mundo, hein”, ao observar a aproximação de lanchas da força-tarefa em um afluente do rio. A tensão no local era palpável, com os agentes disparando para o alto como forma de intimidação.
As redes sociais se tornaram o palco de hostilidades em um segundo vídeo, onde um dos homens, visivelmente agitado, dirigiu ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os xingamentos, ele gritou: “Eu te odeio Lula, filho da put*, presidente noiado vagabundo. Deixa o povo trabalhar, safado”. Uma mulher, que estava próxima a ele, tentou moderá-lo, alertando sobre as possíveis consequências de suas palavras: “Se tu falar essas coisas aí eles vão te prender, tá?”
Desmantelamento da Operação Ilegal
As gravações da ação mostraram como as equipes federais avançavam sobre as dragas utilizadas para o garimpo ilegal. Em um momento tenso, um dos suspeitos questionou ironicamente a presença dos policiais: “Como é que coloca um animal desse em uma lancha dessa aí, que ele não sabe nem atirar?”. O clima de hostilidade era evidente, com gritos e ofensas sendo proferidos aos agentes da lei.
A PF, em comunicado oficial, informou que a Operação Leviatã II foi desencadeada após a identificação de 47 motores, dragas e balsas usadas na exploração ilegal de ouro, indicando uma estrutura organizada e a capacidade de operar em larga escala. Diante da impossibilidade de remoção, a corporação decidiu inutilizar as embarcações e motores no local, seguindo a legislação pertinente. Os materiais inutilizados serão inventariados e tratados de acordo com os procedimentos administrativos vigentes.
Investigação em Andamento
As investigações da PF continuam com foco na identificação de financiadores, operadores logísticos e outros membros da cadeia criminosa, que inclui aqueles que oferecem suporte material e receptação do ouro extraído ilegalmente. Esse esforço é crucial para desmantelar a rede que sustenta a atividade criminosa.
Contexto de Conflitos Anteriores
Vale lembrar que esse não é um incidente isolado. Em setembro do ano passado, agentes federais já haviam enfrentado resistência durante uma operação em Humaitá (AM), onde disparos foram feitos em uma via pública enquanto dragas utilizadas no garimpo foram destruídas. A ação, coordenada pela PF e outros órgãos de fiscalização, resultou na destruição de mais de 70 dragas no sul do Amazonas, em cumprimento a uma ordem da Justiça Federal.
Recentemente, uma aeronave das forças de segurança foi vista sobrevoando a orla do Rio Madeira, evidenciando o suporte aéreo da operação. Além da PF, a ação contou com a participação da Força Nacional de Segurança Pública, do Ministério Público do Trabalho, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas.
Decisão Judicial e Impactos na Operação
A operação ocorreu após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ter rejeitado um pedido da Defensoria Pública do Amazonas que visava impedir o uso de explosivos na destruição de balsas de garimpo. O ministro Francisco Falcão considerou inexistente qualquer prova de ilegalidade ou abuso nas ações da PF, permitindo que a operação se desenrolasse como planejado. Isso demonstra a determinação das autoridades em combater o garimpo ilegal e proteger o meio ambiente na região.
