Icamiabas: O Legado das Guerreiras
A Dragões da Real, uma das principais escolas de samba de São Paulo, brilhou na noite desta sexta-feira, 13, no Sambódromo do Anhembi, com o enredo “Guerreiras Icamiabas: Uma Lendária História de Força e Resistência”. A proposta da escola foi não apenas celebrar a cultura das guerreas icamiabas, mas também trazer à tona questões como a ancestralidade indígena, o matriarcado e a vitalidade da preservação ambiental.
Mas afinal, quem são as guerreiras Icamiabas? Segundo as tradições amazônicas, elas eram formidáveis guerreiras indígenas, habilidosas com arcos e flechas. O Portal Amazônia destaca que essas mulheres eram solitárias, pois viviam em comunidades onde a presença masculina era praticamente inexistente. Além disso, a Lua era considerada sua guardiã, uma referência que reforça a ligação das Icamiabas com a natureza.
A confusão entre a história e a ficção é comum no que diz respeito às Icamiabas. A narrativa que as cerca é uma mistura de lendas e percepções eurocêntricas sobre os povos indígenas. Esta história se entrelaça com a famosa lenda das Amazonas, que originou o nome do estado do Amazonas e da própria Floresta Amazônica.
A lenda narra que as Icamiabas foram avistadas pela primeira vez em 1542, por expedicionários espanhóis, liderados por Francisco Orellana, ao chegarem à região da Amazônia. Esses exploradores descreveram as guerreiras como mulheres altas, musculosas, de pele clara e longos cabelos negros, características que marcam a imaginação popular até hoje.
O Significado do Muiraquitã
Quem nunca ouviu falar do muiraquitã? Este amuleto, geralmente esculpido em minerais como a nefrita, está intimamente relacionado à lenda das Icamiabas. Como essas guerreiras eram celibatárias e não permitiam a aproximação de homens, uma vez por ano, elas se reuniam com os guerreiros Guacaris para um grande banquete à beira do rio. Na noite da lua cheia, elas se banhavam nas águas, derramando perfumes e buscando o purificador.
Após o banho, as Icamiabas confeccionavam muiraquitãs, que eram oferecidos a seus parceiros. Esses amuletos também eram entrelaçados nas tranças das noivas. Meses depois, crianças nasciam: os meninos eram entregues aos guerreiros para serem criados, enquanto as meninas ficavam sob os cuidados das Icamiabas.
As Icamiabas e Nhamundá
A conexão das Icamiabas com Nhamundá, um município localizado a 382 quilômetros de Manaus, é significativa. É nessa região que se acredita ter acontecido o encontro entre essas guerreiras e os conquistadores espanhóis. Frei Gaspar de Carvajal, um religioso que acompanhou a expedição, relatou que as mulheres da tribo enfrentaram bravamente os conquistadores, embora muitas tenham perdido a vida nesse embate.
A lenda das Icamiabas também inspirou produções audiovisuais, como a série “As Icamiabas”, exibida pela TV Cultura. A trama traz as aventuras de Iuna, Laci, Conori e Thyni, quatro personagens femininas inspiradas nas guerreiras. Outra animação, “Icamiabas na Amazônia de Pedra”, produzida pelo Estúdio Iluminuras, apresenta um grupo de meninas superpoderosas, que lutam contra criaturas folclóricas para proteger sua cidade.
Assim, as Icamiabas permanecem não apenas como um símbolo de força e resistência, mas também como uma representação da rica cultura indígena que molda a história e a identidade da Amazônia. O desfile da Dragões da Real serve como um lembrete poderoso da importância de reconhecer e celebrar essas figuras legendárias, que representam tanto a luta das mulheres quanto a necessidade de cuidar do nosso planeta.
