Bairros com Maior Incidência de ISTs em Manaus
O Amazonas, em um levantamento recente, registrou um total de 10.353 casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), uma leve diminuição em comparação aos 10.631 casos notificados em 2024. Manaus, a capital do estado, destacou-se com a maior concentração de notificações, seguida por Coari, com 235 casos, Parintins, com 212, e Carauari, que registrou 191.
Segundo os dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS), de um total de 7.503 casos de ISTs identificados em Manaus em 2025, o bairro Zumbi dos Palmares, localizado na zona leste, foi o mais afetado, acumulando 590 registros.
A lista dos bairros mais impactados seguiu com Monte das Oliveiras (387 casos), Lago Azul (325), Gilberto Mestrinho (318), Tarumã (306) e Crespo (250). Outros bairros com números significativos incluem Armando Mendes (228 casos), Novo Israel (222), Dom Pedro I (220) e Ponta Negra (190). Áreas como Da Paz (158), Nossa Senhora das Graças (139) e Distrito Industrial II (121) apresentaram registros em um patamar intermediário.
Taxa de Incidência e Análise de Dados
Embora o Lago Azul tenha contabilizado 325 casos, ele se destaca por ter a maior taxa de incidência de ISTs, com alarmantes 5.231 ocorrências a cada 100 mil habitantes. Essa taxa é calculada com base na quantidade de casos em relação ao número de moradores daquela região.
Os dados mencionados abrangem o período de janeiro a novembro e indicam uma redução de 4,04% em relação ao ano anterior, que teve 7.819 casos registrados na capital. Segundo a FVS, os números podem variar, já que ainda existem casos sob investigação epidemiológica para confirmação.
Em nota, a FVS enfatizou que cada bairro tem um perfil epidemiológico único, influenciado pela composição populacional, densidade demográfica, acesso aos serviços de saúde e características sociodemográficas, como a faixa etária predominante. Esses elementos afetam diretamente a quantidade de casos de ISTs registrados em cada localidade.
Perfil Epidemiológico das Notificações
Além da análise geográfica, a FVS revelou detalhes sobre o perfil epidemiológico dos casos notificados em 2025. Do total de registros com dados sobre o sexo, 3.890 (53%) ocorreram entre mulheres, enquanto 3.502 (47%) foram entre homens. A variação nos números se deve a uma parte das notificações que não incluiu informações sobre o sexo.
A faixa etária mais afetada corresponde a jovens de 20 a 29 anos, que totalizaram 3.288 notificações, representando 46% do total. Em seguida, aparecem as faixas de 30 a 39 anos com 1.510 casos e 14 a 19 anos com 1.104 registros. A população acima de 60 anos teve 205 notificações, enquanto crianças entre 10 e 13 anos somaram apenas 16.
A FVS apontou que a alta incidência entre jovens de 20 a 29 anos se relaciona a fatores como maior atividade sexual, uso irregular de preservativos e uma percepção de risco reduzida, além da exposição a múltiplos parceiros. Essa faixa etária também registra, em nível nacional, as maiores taxas de sífilis adquirida e uma parcela significativa dos novos diagnósticos de HIV, especialmente entre homens jovens.
Distribuição por Raça e Tipos de ISTs
Em termos de raça/cor, a maior parte dos casos foi reportada entre pessoas que se autodeclararam pardas, totalizando 6.211 ocorrências (86%). Seguiram-se os brancos com 627 casos (9%), negros com 285 (4%), amarelos com 60 (1%) e indígenas com 41 (1%). Essa predominância entre a população parda se manteve em todas as faixas etárias analisadas.
No que diz respeito aos tipos de ISTs, a sífilis não especificada lidera os registros, com 2.347 casos (33%), seguida pela sífilis em gestantes com 2.015 casos (28%) e HIV com 1.806 casos (25%). Outras infecções notáveis incluem corrimento uretral em homens (379 casos), infecção gonocócica (258), corrimento cervical em mulheres (160) e condiloma acuminado (92).
Panorama Geral no Amazonas
No contexto geral do Amazonas, o estado registrou 10.353 casos de ISTs, comparado aos 10.631 em 2024. Além de Manaus, outros municípios como Coari, Parintins e Carauari também se destacaram em termos de registros. Manacapuru, com 189 casos, e Santo Antônio do Içá, com 180 ocorrências, figuram entre os municípios que registraram números significativos.
O FVS esclarece que a concentração de casos em determinados bairros não implica necessariamente ações diretas da fundação, uma vez que as atividades de busca, testagem e tratamento são responsabilidade das secretarias municipais de saúde. A FVS, por sua vez, oferece apoio técnico aos 62 municípios do estado, promovendo capacitação, fornecimento de insumos e monitoramento epidemiológico contínuo.
Essas informações foram compartilhadas por Rodrigo Predoza, coordenador do Programa Estadual de HIV/Aids e outras ISTs da FVS.
