O Crescimento Consistente de Itajaí
Em um ano marcado por disputas acirradas, Itajaí, em Santa Catarina, encerrou 2025 como a cidade com o maior volume de importações do Brasil, totalizando impressionantes US$ 16,3 bilhões. Este resultado, que representa um aumento de 2,6% em relação a 2024, solidifica a posição da cidade como um polo logístico fundamental.
Durante o período de janeiro a novembro, o Complexo Portuário de Itajaí movimentou 14,23 milhões de toneladas, um crescimento notável de 11% sobre os números do mesmo intervalo do ano anterior. Esse desempenho positivo reflete diretamente no desenvolvimento econômico da cidade.
Segundo Lucas Saes, diretor administrativo da Saes Empreendimentos, o porto desempenha um papel vital na economia local, atraindo novas empresas e expandindo as operações logísticas. “Esse movimento gera empregos, fortalece o setor de serviços e atrai investimentos imobiliários, aspectos que explicam a trajetória de crescimento estável de Itajaí”, afirmou.
Contexto Regional e Desempenho de Outros Portos
O crescimento de Itajaí, por sua vez, está em linha com uma tendência observada em todo o estado de Santa Catarina. Dados da Diretoria de Integração de Modais e Gerência de Portos, pertencente à Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF), revelam que os portos catarinenses alcançaram uma movimentação total de 65,7 milhões de toneladas em 2025, representando uma alta de 4,78% em comparação a 2024.
Além do Porto de Itajaí, o Porto de São Francisco do Sul também se destacou, movimentando 17,5 milhões de toneladas. Outros terminais, como o Porto Itapoá e Portonave, mantiveram movimentações robustas, registrando 15,5 milhões e 10,8 milhões de toneladas, respectivamente.
Visão do Governo e Investimentos Futuros
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, expressou confiança nos resultados, destacando que são um sinal claro de que o estado está no caminho certo. Ele afirma que o objetivo é seguir investindo em projetos que garantam eficiência e agilidade, reforçando a logística e dinamizando a economia catarinense. “Um estado que produz com excelência merece todo o nosso esforço para que nossos produtos cheguem cada vez mais longe e mais rapidamente. No ano passado, mais de 200 países compraram produtos de Santa Catarina”, afirmou Mello.
Desafios e Concorrência no Porto de Itajaí
Apesar dos números impressionantes, o Porto de Itajaí enfrenta desafios significativos relacionados à sua concessão. Após um ano e meio sem operações por conta da concessão à APM, o porto agora está no centro de uma disputa entre concessionárias. A JBS Terminais, por exemplo, possui uma concessão provisória que já dura 14 meses e busca garantir um arrendamento definitivo de 35 anos.
Em entrevista ao Poder360, o CEO da JBS Terminais, Aristides Russi Junior, manifestou o interesse da empresa em continuar as operações no porto, condicionando esse desejo à disponibilidade de informações que alinhem as expectativas da companhia. “Estamos aqui, queremos dar continuidade. Contudo, precisamos aguardar o que vem de informações do leilão para verificar se é compatível com nossa estratégia”, acrescentou.
Investimentos em Infraestrutura
Além das questões competitivas, a Federação das Indústrias (FIESC) lançou a “Agenda Estratégica para Infraestrutura e Transporte”, que indica a necessidade de investir R$ 57 bilhões entre 2026 e 2029 em projetos já mapeados, visando atender a demanda crescente da indústria catarinense.
A maior parte desse investimento está voltada para melhorias nas rodovias, que requerem R$ 40,2 bilhões, enquanto o modal aquaviário, que inclui o Porto de Itajaí, necessitará de R$ 4,89 bilhões nesse mesmo período. O estudo também aponta que a iniciativa privada deverá arcar com R$ 42,6 bilhões dos R$ 57 bilhões necessários. Entre os investimentos esperados estão as obras de ampliação dos Portos de Navegantes e de Itapoá, além de parcerias público-privadas (PPPs), como a dragagem e aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga.
