Negligência ou Falta de Estrutura?
Na noite de sexta-feira, 27 de outubro, Ana Clara, uma jovem de apenas 18 anos, se viu em uma situação desoladora ao dar à luz na recepção da maternidade Dona Nazira Daou, localizada em Manaus. A cunhada de Ana, Priscila Gomes, relatou à equipe do g1 que a unidade de saúde falhou no atendimento, diante da urgência do caso. Em vídeos registrados pela família, é possível observar o momento angustiante em que Ana Clara, visivelmente em dor, se apoia em cadeiras enquanto luta para receber os cuidados necessários.
A jovem havia chegado ao hospital por volta das 21h30, sentindo dores intensas e com sinais de perda de líquido amniótico. “Minha mãe chegou na recepção e informou que ela estava prestes a dar à luz. Mesmo assim, deixaram Ana Clara em pé, sem providenciarem uma maca, apesar de haver uma disponível”, desabafou Priscila, evidenciando a falta de atenção da equipe de saúde.
O quadro se agravou rapidamente quando Ana Clara avisou que a cabeça do bebê estava saindo. A situação se tornou ainda mais crítica quando um funcionário trouxe uma cadeira de rodas, mas antes que conseguissem levar a jovem ao pré-parto, o bebê nasceu ali mesmo, na recepção, em meio às pessoas que aguardavam atendimento.
“Acredito que houve negligência, se o bebê tivesse caído, poderia ter causado uma tragédia”, alertou Priscila, ressaltando a gravidade do cenário enfrentado pela jovem.
Após o parto, Ana Clara foi colocada em uma maca sem lençol e levada para um quarto que não possuía ar-condicionado. “Só depois que minha mãe pediu, trouxeram um lençol. Em seguida, Ana foi transferida para uma poltrona pequena, já que outras mulheres estavam em trabalho de parto e precisavam das macas”, explicou a cunhada, revelando a precariedade do atendimento.
Até a última terça-feira, 31 de outubro, tanto Ana Clara quanto o recém-nascido seguiam internados no hospital. De acordo com a família, o bebê apresenta alergia e está sob observação médica, aumentando a preocupação com a situação enfrentada pela mãe e filho.
As imagens do momento do parto, divulgadas pela família, mostram a angústia e o desespero de Ana Clara, levantando questões sobre a eficiência e a estrutura da maternidade na cidade. O que deveria ser um momento de alegria e celebração tornou-se uma experiência traumática e repleta de inseguranças.
Resposta da Maternidade
Em resposta às alegações da família, a Maternidade Dona Nazira Daou emitiu uma nota oficial, afirmando que Ana Clara foi recebida prontamente, já em trabalho de parto. Segundo a unidade, a jovem foi imediatamente encaminhada para a ala pré-parto em uma cadeira de rodas, onde seu filho nasceu poucos minutos depois, sob cuidados médicos, antes mesmo que ela fosse transferida para a maca que estava disponível.
A instituição ainda destacou que o recém-nascido nasceu em boas condições, apresentando choro imediato e foi realizado o contato pele a pele entre mãe e filho, além de serem seguidos todos os protocolos de assistência. A maternidade garantiu que Ana Clara recebeu a ajuda necessária pós-parto e foi transferida para a enfermaria, onde recebeu orientações sobre a amamentação e continuação dos cuidados.
A situação levanta preocupações sobre a qualidade do atendimento nas maternidades da região e o impacto que a falta de estrutura pode ter na vida das gestantes e seus bebês. A comunidade aguarda uma resposta mais efetiva por parte das autoridades de saúde, para que casos como esse não voltem a ocorrer.
