Aumento de latrocínios e feminicídios no Amazonas em 2026
Os primeiros quatro meses de 2026 mostraram um cenário preocupante no Amazonas, com o aumento dos crimes de latrocínio e feminicídio, mesmo diante da redução no número geral de homicídios. Conforme dados oficiais da Secretaria de segurança pública do Amazonas (SSP-AM), os latrocínios dobraram em comparação ao mesmo período do ano anterior, passando de cinco para dez casos. Já os feminicídios tiveram um crescimento ainda mais significativo, com alta de 166,6%, saltando de três para oito registros.
Homicídios apresentam leve queda, mas violência persiste em Manaus e municípios próximos
No total, foram contabilizados 208 homicídios entre janeiro e abril de 2026, contra 217 ocorrências no mesmo intervalo de 2025, indicando uma redução de 4,1%. Manaus concentra a maior parte das mortes violentas, com 109 casos dos 232 registrados no estado. Outros municípios também apresentaram números relevantes, como Tabatinga (13), Coari (9), Manacapuru (8), Autazes (7) e Itacoatiara (6). Esses dados incluem homicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, feminicídios e mortes decorrentes de tortura.
Armas de fogo predominam nas ocorrências e adultos entre 35 e 64 anos são as principais vítimas
A análise da SSP-AM aponta que a maioria das mortes violentas foi causada por armas de fogo, responsáveis por 94 casos. Em seguida, aparecem crimes cometidos com arma branca e agressões físicas. Pessoas entre 35 e 64 anos representam cerca de 40% das vítimas nesse período, evidenciando o impacto da violência em faixas etárias economicamente ativas.
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Impacto da violência na sensação de segurança e respostas da sociedade
Especialistas em segurança pública avaliam que o aumento desses crimes afeta diretamente a percepção de segurança da população e a confiança nas instituições responsáveis pela proteção. A socióloga Cecília Olliveira destaca a importância do investimento em inteligência policial e políticas sociais para combater fatores que contribuem para a criminalidade, como pobreza e desemprego. Moradores de Manaus relatam mudanças na rotina diária, adotando medidas de precaução diante do temor crescente causado pela violência.
Casos recentes evidenciam desafios na segurança pública do Amazonas
Entre os episódios que marcaram o debate sobre violência no estado está a morte do entregador Carlos André Almeida Cardoso, de 19 anos, ocorrida durante uma abordagem policial em Manaus. O jovem, pai e trabalhador, foi morto na madrugada de 19 de abril após sair de uma festa de aniversário. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento da abordagem e agressão por parte de policiais militares, incluindo disparos efetuados de dentro da viatura.
Inicialmente, familiares receberam informações de que a morte teria sido causada por acidente de trânsito, mas um laudo do Instituto de Criminalística concluiu que não houve colisão entre a motocicleta conduzida por Carlos André e a viatura policial. Até o momento, o sargento da Polícia Militar Belmiro Wellington Costa Xavier foi indiciado por homicídio no caso. A mãe de Carlos André aguarda por justiça enquanto a família e a sociedade acompanham os desdobramentos.
Desdobramentos e expectativas para a segurança pública no Amazonas
Os dados recentes revelam que, apesar da redução nos homicídios, o aumento dos latrocínios e feminicídios reforça a urgência de ações efetivas no combate à violência no Amazonas. A resposta das autoridades policiais e a continuidade das investigações são fundamentais para garantir a responsabilização dos envolvidos e restaurar a sensação de segurança da população. A atenção especial a esses crimes violentos deve ser prioridade para as políticas públicas na região.
