Apelo à Paz e Crítica ao Armamento Global
No dia 4 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um importante apelo à paz em meio a um panorama global repleto de conflitos e guerra. Durante a abertura da 39ª Conferência Regional da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) para a América Latina e o Caribe, Lula enfatizou a necessidade urgente de que os líderes mundiais priorizem o combate à fome em detrimento dos gastos com armamentos.
O presidente destacou um dado alarmante: “Se pegássemos o dinheiro que foi gasto em armamentos no ano passado, cerca de US$ 2,7 trilhões, e dividíssemos entre os 630 milhões de pessoas que passam fome no planeta, cada uma receberia aproximadamente US$ 4.285. Isso demonstra que a fome no mundo poderia ser erradicada se houvesse bom senso entre os governantes”, afirmou Lula.
Mensagem Direta aos Poderes Globais
Durante seu discurso, Lula não hesitou em dirigir um apelo direto aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: França, Inglaterra, Rússia, China e Estados Unidos. Ele questionou a prioridade que esses países têm dado ao fortalecimento de seus arsenais armamentistas, em vez de focar em questões urgentes como a fome global. “Estão todos preocupados com a possibilidade de agravamento dos conflitos, enquanto a necessidade de mais armas e recursos bélicos cresce”, criticou.
O presidente brasileiro lembrou que, no Brasil, a Constituição impede a posse de armas nucleares, o que demonstra uma opção pela paz. “Chegamos à conclusão de que o ditado que diz que quem quer paz se prepara para a guerra é apenas uma justificativa para gerar mais conflitos. Nós queremos a paz, pois ela é a única forma de a humanidade avançar”, declarou Lula.
Críticas à Política Internacional e à ONU
Lula também fez severas críticas à criação do Conselho de Paz pelo governo dos Estados Unidos durante a administração de Donald Trump, que visava a reconstrução da Faixa de Gaza. Segundo ele, essa iniciativa é contraditória, considerando o grande número de vidas que foram perdidas na região. “Compensou destruir Gaza, matando mulheres e crianças, para agora criarmos um conselho que diz: ‘Vamos reconstruir Gaza’? É inaceitável”, disse.
O presidente ressaltou que a fome não é resultado de desastres naturais, mas sim de irresponsabilidade por parte dos governantes eleitos. “Se a sociedade não se manifestar, nada muda. A fome é um problema que poderia ser solucionado com ações responsáveis e conscientes”, enfatizou Lula.
A Desacreditação da ONU
Ao concluir seu pronunciamento, Lula destacou o papel fundamental da FAO dentro da estrutura da ONU, porém, expressou sua preocupação com a credibilidade da organização internacional. “A ONU, desde sua criação em 1945, parece estar perdendo espaço para aqueles que promovem a guerra, enquanto os defensores da paz são deixados de lado. Por que a ONU não convocou uma conferência mundial para discutir esses conflitos?”, questionou o presidente.
Por fim, ele criticou a retórica bélica do ex-presidente Trump, que frequentemente se vangloriava do poderio militar dos Estados Unidos. “Por que ele não fala sobre a capacidade do país em produzir e distribuir alimentos? Isso é o que realmente importa e soaria muito melhor aos nossos ouvidos”, concluiu Lula.
