Rejeição a Alianças com o Governo Federal
MANAUS (AM) – Um manifesto elaborado e assinado por 17 diretórios estaduais do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) foi apresentado na terça-feira, 3, ao presidente nacional do partido, o deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP). O documento expressa a recusa do MDB em formar qualquer aliança nacional com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reafirmando a neutralidade do partido nas eleições presidenciais de 2026. O manifesto reitera a autonomia dos diretórios regionais e aponta para possíveis consequências nas articulações políticas, especialmente nos Estados do Amazonas e Pará, onde algumas lideranças do MDB mantêm diálogo com o governo federal.
O texto, que contou com a adesão de figuras proeminentes do Norte, como Romero Jucá (RR) e Alexandre Guimarães (TO), rejeita qualquer tipo de coligação com Lula, delimitando também limites formais para aqueles que mantêm relações diretas com o Planalto. Essa postura reflete a tentativa de salvaguardar a identidade do MDB em um cenário político complexo.
Impacto Direto nos Estados do Amazonas e Pará
A decisão do partido repercute principalmente no Amazonas e no Pará. No Amazonas, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) tem se encontrado frequentemente com representantes do governo federal para discutir obras e investimentos no Estado. Por outro lado, no Pará, o governador Helder Barbalho (MDB-PA) está à frente de projetos estruturantes que conversam diretamente com Brasília. Com a formalização da posição de neutralidade, ambos os líderes devem agir com cautela política, equilibrando a cooperação com o governo federal e a estratégia nacional do MDB para as eleições de 2026.
O manifesto entregue a Baleia Rossi destaca que “o DNA do MDB é o firme compromisso com a democracia, tanto interna quanto externamente”, sublinhando o respeito à pluralidade de opiniões dentro do partido e a importância de cada diretório regional. Apesar de Braga e Barbalho estarem engajados em diálogos com Brasília, a manifestação formal do MDB limita a configuração de palanques que possam ser interpretados como alinhamento com o governo.
Desafios de Articulação Regional
No Amazonas, Eduardo Braga tem estado em diversas agendas que envolvem recursos federais, como a pavimentação do “Trecho C” da BR-319, a entrega de três conjuntos habitacionais do programa “Minha Casa, Minha Vida” e a reconstrução de pontes. Recentemente, o senador revelou que Lula deve visitar o Estado para inaugurar obras pertencentes a programas federais.
No Estado do Pará, Helder Barbalho está à frente de iniciativas em infraestrutura e programas sociais que exigem sua interlocução com o presidente. No fim de seu segundo mandato, Barbalho é cogitado como um possível candidato ao Senado em 2026. Sua família também exerce influência no cenário político, com seu pai, Jader Barbalho, ocupando uma cadeira no Senado, e seu irmão, Jader Barbalho Filho, atuando como ministro das Cidades.
Reações de Parlamentares e Especialistas
A REVISTA CENARIUM buscou comentários do governador Helder Barbalho e do senador Eduardo Braga sobre as possíveis repercussões do manifesto nas articulações políticas no Amazonas e Pará, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Entretanto, deputados federais apoiaram o conteúdo do manifesto. O presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Alceu Moreira, afirmou que “o MDB não estará com Lula e o PT”, considerando o documento resultado de um “amplo diálogo interno”. Rafael Pezenti, responsável pela articulação do texto, reiterou que “o MDB não estará com Lula na eleição deste ano”, destacando a autonomia dos diretórios regionais.
O manifesto também menciona que, com a aproximação do processo eleitoral, a especulação sobre a posição do MDB em relação à Presidência da República aumentou. Segundo os signatários, o partido representa a diversidade de um Brasil não homogêneo, onde cada Estado carrega suas particularidades sociais e políticas, justificado assim a descentralização das decisões eleitorais.
Análise de Especialista em Direito Eleitoral
Em conversa com a REVISTA CENARIUM, o advogado especialista em Direito Eleitoral, Alex Ladislau, ressaltou que, apesar de o manifesto do MDB nacional confirmar a neutralidade do partido nas eleições de 2026, isso não significa uma “imposição absoluta” sobre os dirigentes regionais. Segundo ele, a norma nacional deve ser vista como uma diretriz estratégica, adaptável às realidades políticas de cada Estado. “Na prática, o posicionamento permite que os dirigentes optem pelo caminho que acharem mais adequado, em respeito ao contexto local e às demandas eleitorais de suas bases”, afirma.
Ainda conforme Ladislau, em Roraima, o MDB estadual já deixou claro que não apoiará Lula, ao entender que qualquer sinal de alinhamento com o governo poderia resultar em perda de votos. “Mesmo assim, a orientação nacional mantém a autonomia dos diretórios, garantindo que decisões pontuais não sejam confundidas com infidelidade partidária”, explicou.
