Prédio de R$ 50 mil para migrantes em Manaus permanece vazio e sem uso
Um prédio alugado por aproximadamente R$ 50 mil mensais, destinado a abrigar migrantes e refugiados venezuelanos em Manaus, está sem uso desde o ano passado. A situação é preocupante, uma vez que muitos venezuelanos continuam a buscar melhores condições de vida no Brasil, especialmente na capital amazonense. Enquanto a sala de atendimento no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes teve que ser fechada por falta de pagamentos, o governo do Amazonas segue arcar com os custos do aluguel de um espaço que permanece vazio.
Localizado no bairro Cidade Nova, na Zona Norte de Manaus, o espaço deveria funcionar como um Posto de Interiorização e Triagem (Ptrig) para auxiliar estrangeiros na regularização de sua situação no país. A fachada do imóvel deixa claro seu propósito, mas a realidade é que o local está desocupado há longos meses. Moradores e comerciantes da região confirmam que ninguém tem utilizado o prédio.
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Fonte: belembelem.com.br
A estrutura possui quase novecentos metros quadrados, já equipada com ar-condicionados, extintores de incêndio e interfone funcionando. No entanto, a secretária de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Jussara Pedrosa, afirmou que procedimentos administrativos têm mantido o espaço inoperante. “Nos próximos dias, vamos instalar a rede lógica para a montagem dos computadores e iniciar a mudança do Ptrig para lá”, declarou Pedrosa.
Condições de atendimento precárias para migrantes
A nova instalação fica a cerca de oito quilômetros da rodoviária de Manaus, onde muitos migrantes chegam em busca de abrigo. Essa distância é semelhante à que separa o prédio do aeroporto, que também tem um posto desativado desde o início do ano, devido à falta de pagamentos de um aluguel acessível.
Documentos obtidos pela Rede Amazônica revelam que o valor do aluguel na administração do aeroporto é de apenas noventa reais mensais. A Sejusc, no entanto, não reconhece uma dívida, alegando a falta de um contrato formal com a administração do aeroporto em relação a esse pagamento. “Boleto não é sinônimo de dívida. Para haver uma confissão de dívida, é necessário ter um contrato”, afirmou a secretária.
Enquanto o novo prédio não é ativado, os migrantes têm sido atendidos provisoriamente em uma sala no Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) da Compensa, uma solução insuficiente que persiste há quase dois anos. As dificuldades aumentam para os venezuelanos que chegam a Manaus, como a professora Maria Isabel, que relatou a situação caótica em seu país, com a economia e a infraestrutura em colapso, tornando a migração uma necessidade urgente.
Desafios enfrentados por migrantes e a falta de abrigo adequado
Com a incessante chegada de venezuelanos, o abrigo na Avenida Torquato Tapajós, que oferecia acolhimento, foi desativado após ser inundado por chuvas intensas. a situação de emergência levou à evacuação de cerca de vinte pessoas, com apoio do Exército. Embora a secretária Jussara Pedrosa tenha garantido que a água não alcançou os alojamentos, é claro que as condições para esses migrantes são precárias.
A coordenadora de projetos de capacitação de venezuelanos em Manaus, Lis Martinez, destaca a importância de oferecer ajuda a esses migrantes, enfatizando que muitos deles só precisam de um suporte inicial para conseguir se estabelecer e contribuir para a sociedade. “O migrante, assim como um bebê, começa dando pequenos passos até se tornar autossuficiente. Com o tempo, eles poderão criar negócios e gerar empregos”, afirmou Martinez.
