Exploração em Plena Floresta Urbana
A Reserva Adolpho Ducke, sob a administração do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), ocupa aproximadamente 10.000 hectares de floresta tropical, destacando-se como uma das maiores florestas urbanas do Brasil. Este espaço não apenas abriga uma rica biodiversidade, mas também desempenha um papel vital na pesquisa científica sobre o ecossistema amazônico.
O Museu da Amazônia, também conhecido como Musa, está aberto ao público todos os dias, das 8h30 às 17h, exceto às quartas-feiras, quando fecha para manutenção. Os visitantes podem optar por visitas guiadas, que custam R$ 50, ou visitar de forma autônoma por R$ 30. Esses valores incluem acesso a uma torre de observação, trilhas pela floresta, um orquidário, lago, laboratórios experimentais e diversas exposições. Para agendar uma visita guiada, é necessário contatar o e-mail agendamento@museudamazonia.org.br.
Atrações Imperdíveis no Musa
Um dos principais pontos de interesse é a Torre de Observação, com seus 42 metros de altura e 242 degraus. A partir do topo, visitantes têm a oportunidade de contemplar o nascer e o pôr do sol sobre a floresta. Para alcançá-la, é preciso percorrer a maior trilha do local, que se estende por cerca de 1 km desde o portão de entrada.
Além do passeio diurno, o Musa oferece um passeio noturno, que proporciona uma experiência sensorial e intimista, sob a supervisão de um guia. O agendamento prévio é obrigatório e o valor é de R$ 120. De acordo com Iago Gabriel, monitor de trilhas, essa experiência noturna é mais voltada para a conexão emocional com a floresta: “Durante o dia, os visitantes caminham pelas trilhas para conhecer as exposições de forma mais explicativa e científica. À noite, a abordagem é mais sentimental e próxima, permitindo uma vivência única da natureza”.
Diversidade da Fauna e Flora
A fauna é uma das grandes estrelas do Musa. Os visitantes podem observar aves típicas da região, como tucanos e araras, além das borboletas que habitam o borboletário do museu. Serpentes e peixes da Amazônia estão presentes em aquários, proporcionando uma experiência educativa e segura. O local também é ideal para a prática de “birdwatching”, atraindo turistas e pesquisadores interessados pela rica biodiversidade local.
A direção do museu destaca que ele funciona como um laboratório vivo, onde a interação entre fauna e flora é estudada e compartilhada com o público. A proposta é mostrar como a floresta se mantém em equilíbrio e como os seres humanos podem aprender a conviver com esse ambiente.
Acervos de Arqueologia e Etnologia
O acervo arqueológico do MUSA-NAE reúne mais de 30 mil artefatos de 16 coleções diversas, incluindo cerâmicas, líticos, materiais zooarqueológicos e arqueobotânicos. O acervo etnográfico valoriza culturas indígenas e tradicionais da Amazônia, com ênfase em objetos de comunidades do Alto Rio Negro em exposições colaborativas, como “Peixe e Gente” e “Aturás, mandiocas, beijus”.
Além disso, o museu abriga um acervo paleontológico, presente na exposição “Passado Presente”, que conta com fósseis de animais e vegetais da região e de outras partes do mundo. Um dos trechos de estudo destaca: “Desde a invasão europeia e a colonização, há 500 anos, observamos novas dinâmicas de ocupação da floresta”.
Visita Presidencial e Compromissos Ambientais
Em novembro de 2024, o então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, visitou o museu durante sua passagem por Manaus. Na ocasião, Biden, acompanhado de Camila Ribas, pesquisadora do Inpa, e Peter Fernandez, CEO da Mombak, fez uma trilha por um trecho de vegetação nativa e se encontrou com lideranças indígenas dos povos Kokama, Xerente e Wapichana, que esperavam por ele ao pé de uma imponente Sumaúma.
No local, Biden anunciou um aporte de US$ 50 milhões ao Fundo Amazônia e a criação de uma coalizão que deve mobilizar US$ 10 bilhões até 2030 para restaurar e proteger cerca de 52 mil quilômetros quadrados de terras. “A luta contra a mudança climática é uma prioridade da minha presidência. Não precisamos escolher entre economia e meio ambiente. É possível fazer as duas coisas”, afirmou Biden em seu pronunciamento no museu.
Com uma ampla gama de experiências e um compromisso com a educação ambiental, o Museu da Amazônia se destaca como um verdadeiro patrimônio da cultura e ciência no coração da floresta urbana brasileira.
