Comandante da Lancha Se Entrega à Polícia
O piloto da lancha de transporte de passageiros Lima de Abreu XV, que naufragou em Manaus no dia 13 de fevereiro, se entregou à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). A embarcação, que partiu da capital amazonense com destino ao município de Nova Olinda do Norte, afundou com aproximadamente 80 pessoas a bordo. O comandante, identificado como Pedro, deve permanecer detido enquanto aguarda a audiência de custódia marcada para a próxima terça-feira (17).
A defesa do piloto informou que ele se apresentou espontaneamente à polícia, enfatizando que não tinha intenção de se evadir da Justiça, mas estava em estado de profunda fragilidade emocional após o acidente. “O Pedro pretende colaborar com as investigações”, detalhou a defesa.
Desdobramentos da Investigação
No dia do acidente, Pedro foi inicialmente detido e levado ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Com a confirmação das mortes, ele foi transferido para a DEHS, mas acabou sendo liberado após o pagamento de fiança. No entanto, no dia seguinte, a juíza Eliane Gurgel do Amaral Pinto decretou a prisão preventiva do piloto, com a intenção de garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei. A ordem judicial determina que, após o cumprimento do mandado, o comandante deve ser recolhido a qualquer unidade prisional.
O Naufrágio e as Causas do Acidente
A lancha da empresa Lima de Abreu Navegações zarpou de Manaus por volta das 12h30 e, em um momento crítico da viagem, afundou nas proximidades do Encontro das Águas, onde os rios Negro e Solimões se encontram. Imagens gravadas por testemunhas mostram pessoas, incluindo crianças pequenas, à deriva na água. Muitas delas estavam usando coletes salva-vidas ou se apoiando em botes enquanto aguardavam ajuda. A causa do naufrágio ainda não foi oficialmente divulgada e permanece sob investigação.
Logo após o acidente, as equipes de resgate foram acionadas e parte dos passageiros foi socorrida por embarcações que navegavam na região. Um momento que tocou a todos foi o resgate de um recém-nascido, um bebê prematuro de apenas cinco dias. Ele foi colocado dentro de um cooler por familiares para evitar o contato direto com a água até ser encontrado. A mãe do bebê, que tinha viajado a Manaus para dar à luz, também foi resgatada e recebeu atendimento médico.
Relatos e Testemunhos Sobre o Naufrágio
As testemunhas relataram momentos de grande tensão antes do naufrágio. Uma passageira revelou que havia alertado o piloto sobre a necessidade de reduzir a velocidade devido ao banzeiro, um fenômeno comum na região. Em um vídeo gravado enquanto aguardava o resgate, ela afirmou ter pedido para que o condutor “ir devagar”. A empresa responsável pela lancha, Lima de Abreu Navegações, divulgou uma nota lamentando o ocorrido, ressaltando que a embarcação estava regularizada e que está colaborando com as investigações.
Identificação das Vítimas
Entre os passageiros que perderam a vida no naufrágio estão Samila de Souza, de apenas 3 anos, Lara Bianca, de 22 anos, e Fernando Grandêz, de 39 anos. Os corpos de Samila e Lara foram encontrados poucas horas após o acidente. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas, Samila foi levada ao Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste, mas já chegou sem vida. A criança estava em sua primeira viagem a Manaus e retornava para Urucurituba, onde a lancha faria uma parada.
Lara Bianca, natural de Nova Olinda do Norte, estudava odontologia em Manaus e estava prestes a se formar, conforme relato de amigos. Seu corpo foi resgatado e levado ao pelotão fluvial do Corpo de Bombeiros, antes de ser encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). Fernando Grandêz, um cantor gospel de 39 anos, também foi encontrado três dias após o naufrágio. Conhecido por seu envolvimento em eventos religiosos, ele frequentemente compartilhava suas apresentações nas redes sociais, sempre expressando sua fé.
