Gustavo Feliciano na chefia do Turismo
A saída de Sabino do Ministério do Turismo marcou um novo capítulo nas relações entre o governo Lula e o União Brasil. Sabino foi expulso do partido após desobedecer uma ordem que pedia que os ministros da sigla deixassem seus cargos no governo. Essa decisão, tomada em setembro, gerou polêmicas e culminou na sua demissão da pasta. O União Brasil havia anunciado seu rompimento com o Palácio do Planalto, mas Sabino decidiu permanecer, desafiando a orientação da sigla.
Neste contexto, a legenda reivindicou a cadeira de ministro, o que levou a uma nova aproximação entre o União e o governo. O novo escolhido para o cargo é Gustavo Feliciano, que já tem experiência no setor, tendo sido secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico da Paraíba entre 2019 e 2021. Filho do deputado Damião Feliciano, Feliciano à época também era um político alinhado ao União, embora atualmente esteja sem partido.
Repercussões e alianças políticas
A escolha de Feliciano foi celebrada por Hugo Motta, presidente da Câmara, que também se reaproximou do Palácio do Planalto após algumas divergências com Lula, especialmente em relação ao Projeto de Lei Antifacção que tramita na Câmara. Motta fez questão de parabenizar Feliciano pelas redes sociais, afirmando que o novo ministro é a escolha certa para a pasta.
O União Brasil, que influenciou a nomeação de Feliciano, é uma sigla marcada por instabilidades em sua relação com o governo. A expulsão de Sabino foi um reflexo de uma resolução interna que pedia aos filiados que deixassem os cargos ocupados no governo de Lula. A cúpula da legenda deixou claro que membros que não seguirem essa norma enfrentariam punições, incluindo a expulsão, como foi o caso de Sabino.
Ministros que permanecem
Curiosamente, a resolução não afetou os ministros Waldez Góes, do Desenvolvimento Regional, e Frederico Siqueira, das Comunicações. Ambos mantêm suas posições apesar da pressão do partido para que os filiados se desligassem dos cargos. Waldez, que está na equipe desde o começo do governo Lula, é ligado ao senador Davi Alcolumbre. Frederico assumiu as Comunicações em abril, após a saída de Juscelino Filho, também do União Brasil, que enfrentou acusações da Procuradoria-Geral da República.
Contexto político e desafios do União Brasil
A pressão sobre o União Brasil aumentou após reportagens revelarem supostas conexões de Antonio de Rueda, presidente nacional do partido, com organizações criminosas, o que Rueda nega veementemente. Em resposta, o partido alegou que as informações eram parte de um uso político da estrutura governamental. Essa turbulência interna tem gerado um clima de incerteza nas relações de poder, principalmente com a aproximação de novas federações partidárias.
A sigla também se uniu ao PP em uma aliança que tem gerado controvérsias, tendo Ciro Nogueira à frente do partido, um ex-ministro que é visto por muitos como um aliado do governo anterior de Jair Bolsonaro. A avaliação interna do União Brasil é de que sua postura precisa ser reafirmada, especialmente após declarações de Lula que deixaram claro um descontentamento mútuo entre ele e a liderança do partido.
