Suspeitos em Fuga
Na última sexta-feira (20), uma operação policial resultou na prisão de 14 indivíduos, dos quais oito foram detidos no Amazonas. Entre os presos estão uma ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus e um servidor do Tribunal de Justiça. Contudo, nove pessoas ainda permanecem atlarge, levantando questões sobre a profundidade do envolvimento político no crime organizado na região.
Os foragidos são:
- Alexandre Braz Maia
- Allan Kleber Bezerra Lima
- Bismarque de Souza Pereira
- Luana Ferreira Tavares
- Messias Daniel da Silva Alves
- Monique Kelly Galvão de Sousa
- Núbia Rafaela Silva de Oliveira
- Pedro Igor Garcia Rodrigues
- Pedro Sergio Saraiva Rocha Júnior
De acordo com o delegado Marcelo Martins, o grupo usava empresas de fachada para facilitar o tráfico de drogas em diversos estados brasileiros. A investigação identificou o envolvimento de ex-assessores e servidores públicos que atuavam em setores estratégicos, permitindo um trânsito mais livre para a organização criminosa.
Estratégias Criminosas
Allan Kleber, apontado como líder do núcleo, supostamente se vantajava de sua influência em órgãos públicos, alegando não temer a prisão, pois pagava pessoas para garantir sua proteção. Esta informação foi corroborada por dados obtidos de um celular apreendido durante as investigações.
Curiosamente, ele se apresentava como evangélico e atuava em uma igreja no bairro Zumbi dos Palmares, na Zona Leste de Manaus. Segundo o delegado, igrejas evangélicas estavam sendo utilizadas como um disfarce social, dificultando a identificação das atividades ilícitas do grupo.
As autoridades solicitam que qualquer informação sobre os suspeitos seja repassada de forma anônima pelos contatos 197 e (92) 3667-7575 da Polícia Civil, ou pelo 181 da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM).
Detidos na Operação
Na operação, além dos foragidos, oito pessoas foram presas, entre elas:
- Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas, acusado de vazamentos de informações sigilosas que beneficiaram o grupo.
- Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete na Assembleia Legislativa do Amazonas, ligada a transações financeiras suspeitas.
- Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil, que supostamente movimentou cerca de R$ 1,5 milhão em favor da facção.
- Alcir Queiroga Teixeira Júnior – também investigado por relação com o esquema financeiro.
- Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor de um vereador, considerado parte da rede de influência.
- Osimar Vieira Nascimento – policial militar preso sob suspeita de conluio com o núcleo investigado.
- Bruno Renato Gatinho Araújo – detido em Manaus.
- Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara por sua suposta participação.
Além desses, Lucila Costa Meireles, detida fora do Amazonas, também é indicada como integrante do núcleo político. Ela atuava como advogada sem registro na OAB e teria agido como lobista do grupo, segundo a polícia.
Movimentação Financeira e Crimes
A organização criminosa em questão movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018, o que equivale a aproximadamente R$ 9 milhões por ano. O grupo operava em conjunto com traficantes do Amazonas e de outros estados, facilitando a contratação de empresas de fachada nos setores de transporte e logística, usadas para importação de drogas da Colômbia para Manaus e sua distribuição em outras partes do país.
Os indivíduos investigados enfrentam graves acusações, incluindo formação de organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
As defesas dos presos negam qualquer envolvimento com atividades criminosas e ressaltam que alguns deles são servidores públicos respeitados. O Tribunal de Justiça do Amazonas, a Universidade do Estado do Amazonas e a Polícia Militar do Amazonas já se manifestaram, afirmando que tomaram medidas administrativas e legais conforme necessário em resposta a esta situação.
A Prefeitura de Manaus, por sua vez, declarou que não está sendo alvo da operação, enfatizando seu compromisso com a legalidade e a transparência, enquanto a Câmara Municipal de Manaus orientou que os questionamentos sobre os investigados sejam direcionados aos gabinetes dos vereadores relacionados.
