Análise revela impactos de diferentes viscosidades no desempenho do motor após rodagem de 600.000 km
Escolher o óleo adequado para o motor pode parecer um detalhe insignificante, mas essa decisão afeta diretamente o consumo de combustível, o desgaste e a durabilidade do motor ao longo de centenas de milhares de quilômetros. Em um teste comparativo, um mesmo veículo foi submetido ao uso dos óleos 0W20, 5W30 e 5W40, levando em consideração todas as variáveis que poderiam influenciar o resultado, como motorista, trajeto e condições de uso. Essa análise não apenas questiona as recomendações convencionais das montadoras, mas também mostra, na prática, qual óleo realmente protege o motor e qual pode comprometer sua longevidade silenciosamente.
Durante o teste, que envolveu milhares de quilômetros e análises detalhadas, como temperatura do óleo, presença de metais de desgaste e inspeções internas, ficou claro que consumo e emissões não são os únicos aspectos a serem considerados. O motor, ao contrário do que muitos acreditam, não segue manuais ou propagandas; sua performance está ligada à viscosidade do óleo e à sua capacidade de manter a estabilidade térmica.
Por que a escolha do óleo é crucial
Discutir sobre óleos automotivos no Brasil muitas vezes gera polêmica. Para alguns, os óleos mais finos representam a modernidade, enquanto outros defendem que apenas os mais espessos protegem adequadamente o motor. E, claro, sempre surge o conselho de se apegar às orientações do manual do veículo. Entretanto, poucos se dão conta de que esses manuais são elaborados para atender a critérios como consumo, emissões e custos de garantia, e não necessariamente refletem as condições reais de uso em trajetos urbanos e em clima quente.
O teste realizado procurou focar em condições reais, permitindo que os dados, e não apenas teorias, mostrassem qual óleo é mais eficaz na proteção do motor. Para garantir a imparcialidade, os testes foram realizados com um motor moderno, de quatro cilindros, com injeção direta e tolerâncias apertadas, características comuns na maioria dos veículos vendidos atualmente. O mesmo carro, motor, motorista e trajeto foram utilizados, com as únicas variações sendo a viscosidade dos óleos testados: 0W20, 5W30 e 5W40, cada um rodando aproximadamente 12.000 km.
Entendendo as diferenças entre viscosidades
Antes de analisar os resultados, é essencial compreender o que cada tipo de óleo oferece:
- 0W20: Considerado um óleo fino em temperaturas de trabalho, reduz o atrito e melhora o consumo em média de 3% a 5%. Contudo, sua fina película de óleo pode apresentar limitações quando o motor aquece ou enfrenta cargas elevadas.
- 5W30: Este é um ponto de equilíbrio, que mantém boa fluidez em partidas a frio e forma uma camada de proteção mais robusta em altas temperaturas. Historicamente, é visto como o meio-termo entre consumo e durabilidade.
- 5W40: Com um perfil mais espesso, oferece alta estabilidade térmica e suporte em condições severas, mas pode penalizar o fluxo em partidas a frio e em trajetos curtos.
A escolha de cada tipo de óleo implica em compromissos. A questão central foi: qual óleo protege o motor nas condições brasileiras, que incluem tráfego intenso, calor e uso misto?
Resultados do teste: análise detalhada
Na primeira fase, com o 0W20, os resultados ficaram evidentes:
- Lubrificação rápida na partida.
- Menor atrito interno e melhor consumo, com cerca de 0,4 km/L a mais.
- No entanto, a temperatura do óleo era 4 a 7 ºC mais alta e a viscosidade caiu cerca de 12% após 12.000 km, evidenciando sinais de desgaste.
Seguindo para a fase com o 5W30, as diferenças surgiram rapidamente:
- Temperatura média do óleo até 5 ºC mais baixa e perda de viscosidade inferior a 5%.
- Menor formação de verniz e excelente controle de desgaste.
Por fim, com o 5W40, os dados mostraram:
- Menor degradação da viscosidade, mas uma leve lentidão na circulação do óleo em partidas frias.
- Desgaste extremamente baixo em condições severas.
Conclusão: qual óleo realmente salva o motor?
Com base nos resultados, o 5W30 destacou-se como a melhor opção para aqueles que enfrentam o calor, o trânsito e desejam prolongar a vida útil do motor. Enquanto o 0W20 apresenta vantagens em consumo, ele sacrifica a durabilidade sob condições adversas. O 5W40 é excelente para uso severo, mas pode ser desnecessário para condução mais leve. Portanto, a melhor escolha depende das condições de uso e da intenção de cada motorista em preservar seu veículo ao longo dos anos.
No final, o motor não se importa com as tendências de marketing, mas sim com a qualidade da lubrificação e a estabilidade ao longo do tempo. E você, já parou para pensar no tipo de óleo que está usando e se ele realmente atende às suas necessidades?
