Ação Revela Envolvimento de Servidores Públicos e Policiais em Esquema Criminoso
A recente operação desencadeada pela Polícia Civil do Amazonas visa desarticular um suposto núcleo político associado ao Comando Vermelho. Entre os alvos, estão um servidor do Tribunal de Justiça, uma policial civil lotada na Prefeitura de Manaus, ex-assessores de vereadores e um policial militar. Até o momento, 14 prisões foram efetivadas em diversos estados do Brasil.
Os investigados incluem:
- Izaldir Moreno Barros – Servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas. Segundo as investigações, ele teria recebido pagamentos para fornecer informações sigilosas sobre processos que estão em segredo de justiça, beneficiando assim a organização criminosa.
- Adriana Almeida Lima – Ex-secretária de gabinete na Assembleia Legislativa do Amazonas. Relatórios de inteligência financeira revelaram transações milionárias em sua conta, diretamente ligadas ao esquema.
- Anabela Cardoso Freitas – Investigadora da Polícia Civil e ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida. A investigação alega que ela movimentou cerca de R$ 1,5 milhão em favor da facção, por meio de empresas de fachada.
- Alcir Queiroga Teixeira Júnior – Suspeito de participar do esquema financeiro relacionado à organização criminosa.
- Josafá de Figueiredo Silva – Ex-assessor parlamentar, identificado como parte da rede de influência do Comando Vermelho.
- Osimar Vieira Nascimento – Policial militar que foi preso por suspeitas de envolvimento nas atividades do núcleo político.
- Bruno Renato Gatinho Araújo – Detido no Amazonas, é um dos investigados na operação.
- Ronilson Xisto Jordão – Preso em Itacoatiara, é apontado como participante do esquema.
A defesa dos alvos ainda não foi localizada. O Tribunal de Justiça do Amazonas comunicou que já tomou medidas administrativas em relação ao servidor mencionado na operação, destacando seu compromisso com a legalidade e a transparência.
A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) também se manifestou, afirmando que não se responsabiliza por atos de servidores fora do exercício de suas funções. No caso de Adriana Almeida, a UEA enfatizou que ações fora do ambiente institucional são de responsabilidade pessoal da professora.
A Polícia Militar do Amazonas revelou que o cabo preso irá responder tanto na Justiça quanto a procedimentos administrativos internos. A corporação destacou sua colaboração nas investigações e repudia atos de corrupção.
A Prefeitura de Manaus, por sua vez, afirmou que não é alvo da operação e que tanto o prefeito David Almeida quanto a administração pública não estão envolvidos na investigação. A prefeitura reiterou que os servidores investigados responderão individualmente por suas ações.
A operação também causou impactos significativos além das prisões. A Justiça autorizou 24 mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas, sequestro de bens e quebra de sigilo bancário. As ordens foram cumpridas em várias cidades, como Belém (PA), Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Estreito (MA). Durante as investigações, a polícia identificou movimentações financeiras que conectam o esquema a diversos estados.
Estima-se que a organização criminosa tenha movimentado cerca de R$ 70 milhões desde 2018, com uma média de R$ 9 milhões anuais. Os investigados estão sendo acusados de diversos crimes, incluindo organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e oculta de patrimônio.
Início das Investigações e Estrutura do Crime Organizado
As investigações começaram após a apreensão de 500 tabletes de maconha skunk, sete fuzis de uso restrito, dois barcos usados no transporte de drogas, e um veículo utilitário. Um dos envolvidos foi preso em flagrante durante a ação.
O inquérito, iniciado a partir dessa prisão, tinha como objetivo identificar a cadeia de comando do grupo e mapear os operadores logísticos e financiadores. A organização se mostrava bem estruturada, com divisão de tarefas entre os membros e atuação coordenada nas áreas operacional, financeira e de apoio logístico.
Os criminosos utilizavam rotas fluviais e terrestres para transportar as drogas, além de veículos alugados em nome de terceiros, dificultando a rastreabilidade. Também foram identificadas empresas formalmente registradas com indícios de que funcionavam apenas no papel, sendo usadas para movimentar e ocultar valores de origem ilícita.
Relatórios financeiros revelaram movimentações atípicas de grande valor, com transferências entre os investigados e empresas ligadas ao esquema. As análises mostraram uma discrepância clara entre o volume financeiro movimentado e a capacidade econômica declarada pelos suspeitos.
