Operação ‘Erga Omnes’ e suas Implicações
A operação ‘Erga Omnes’ deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas, na sexta-feira (20), resultou na prisão de 14 pessoas, entre elas, servidores públicos de diversos níveis, em Manaus e em seis outros estados. A ação é um desdobramento de uma investigação que teve início após a apreensão de mais de meia tonelada de drogas e armamento pesado em agosto de 2025. A apreensão ocorreu na Zona Sul de Manaus, onde policiais presenciaram indivíduos transferindo substâncias ilícitas de lanchas para um veículo. O confronto armado na ocasião culminou na prisão de um suspeito, mas outros conseguiram fugir.
Os envolvidos estão sendo investigados por movimentações financeiras que giram em torno de R$ 70 milhões desde 2018, utilizando empresas de fachada para ocultar a lavagem de dinheiro. Documentos revelados na investigação indicam que o grupo, associado ao Comando Vermelho, buscava informações sigilosas para se antecipar a ações policiais e decisões judiciárias.
Apreensões e Prisões
Com a operação, a polícia cumpriu 14 mandados de prisão, sendo oito deles na capital amazonense. Dentre os presos estão a ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus e um servidor do Tribunal de Justiça do estado, além de outras personalidades ligadas à política local. O principal alvo, Allan Kleber Bezerra Lima, apontado como líder do grupo, permanece foragido.
A investigação começou em 6 de agosto de 2025, quando 523 quilos de maconha do tipo skunk e sete fuzis de uso restrito foram apreendidos no bairro Educandos, em Manaus. Durante um patrulhamento, a polícia avistou pessoas em atitude suspeita e desencadeou uma operação que resultou na apreensão de materiais ilícitos e na prisão de um homem em flagrante. O veículo utilizado pelo grupo continha drogas e armamentos, incluindo fuzis de calibres 7.62 e 5.56, além de embarcações com potentes motores.
Como o Esquema Operava
A investigação revelou que o grupo possuía uma estrutura organizada com funções bem definidas, abarcando desde operadores logísticos até financiadores das atividades criminosas. Estima-se que esta quadrilha movimentou aproximadamente R$ 9 milhões por ano, a partir de 2018, utilizando empresas de fachada nos setores de transporte e locação para encobrir suas atividades. Essas empresas serviam não só para a lavagem de dinheiro, mas também para o transporte da droga, ajudando o Comando Vermelho a estabelecer rotas de tráfico que se iniciavam na Colômbia e se espalhavam pelo Brasil.
Além disso, os criminosos buscavam obter informações sigilosas para prever ações policiais e judiciárias, o que demonstra um nível de organização e ousadia alarmantes. A polícia identificou que o volume financeiro movimentado pelos envolvidos não condizia com a capacidade econômica que eles afirmavam ter, o que levantou ainda mais suspeitas sobre suas atividades.
Consequências e Próximos Passos
Os detidos respondem por uma série de crimes, incluindo organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção. Entre os alvos da operação, além dos mencionados, figuram servidores públicos e ex-assessores que desempenharam papéis relevantes nas estruturas administrativas locais. A operação ainda repercute, e a busca por Allan Kleber Bezerra Lima e outros foragidos continua intensa.
O prefeito de Manaus, David Almeida, não está sendo investigado neste caso, mas a trama revela a profunda conexão entre o crime organizado e segmentos políticos, o que exige uma reflexão urgente sobre a segurança pública e a integridade das instituições no estado.
