Troca de Informações Suspeitas entre Núcleo Político e Organizações Criminosas
Manaus/AM – A Polícia Civil do Amazonas deflagrou, na sexta-feira (20), a operação Erga Omnes, com foco em desmantelar um suposto “núcleo político” vinculado ao Comando Vermelho (CV) no estado. A ação resultou na prisão de 14 indivíduos, sendo oito deles localizados no Amazonas, entre os quais se destaca a ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus e um funcionário do Tribunal de Justiça do Amazonas. Ambos são acusados de utilizar sua influência em órgãos públicos para beneficiar a organização criminosa.
Documentos que foram apreendidos durante a operação evidenciam a troca de informações entre os membros do grupo, revelando detalhes sobre transações financeiras e decisões judiciais. Mensagens enviadas por Lucila Meireles Costa, uma das suspeitas, mostram que ela compartilhou comprovantes de pagamento com um servidor do tribunal e monitorou a expedição de mandados de prisão. Ela atuava em parceria com Allan Kleber Bezerra Lima, que, segundo a investigação, é o líder do núcleo político e encontra-se foragido.
Investigações Revelam Esquema Bilionário e Atuação em Diversos Setores
De acordo com as apurações, o esquema movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018, utilizando empresas de fachada nos setores de transporte e logística para adquirir drogas na Colômbia, que eram depois distribuídas na região de Manaus e em outros estados. Os envolvidos enfrentam acusações graves, incluindo organização criminosa, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e associação para o tráfico de drogas.
Entre os alvos da operação estão não apenas servidores públicos e ex-assessores parlamentares, mas também policiais. A investigação aponta que alguns investigados recebiam propinas em troca de informações sigilosas, enquanto outros desempenhavam funções como lobistas ou atuavam como advogados irregulares a serviço do grupo. Além de Allan Kleber, outros oito integrantes da suposta organização continuam foragidos.
Compromisso das Instituições com a Legalidade
As instituições que estão envolvidas na investigação se manifestaram através de notas, reafirmando o compromisso com a legalidade e a transparência. O Tribunal de Justiça do Amazonas, por exemplo, informou que já tomou medidas administrativas contra o servidor mencionado nas investigações. Por sua vez, a Universidade do Estado do Amazonas e a Prefeitura de Manaus destacaram que os investigados deverão responder individualmente por suas ações.
A Polícia Militar do Amazonas também anunciou a abertura de um procedimento administrativo e está colaborando nas investigações, buscando esclarecer e desmantelar os vínculos que possam existir entre a política e o crime organizado. A operação Erga Omnes, portanto, não apenas representa um passo significativo na luta contra a corrupção, mas também evidencia a necessidade de um olhar atento sobre a comunicação entre diferentes esferas do poder.
