Ação Policial Segue Rumo à Corrupção em Manaus
MANAUS (AM) – A Operação Erga Omnes, deflagrada na sexta-feira, 20, traz à tona uma denúncia que impactou a política local há dois anos. Em 2022, um áudio revelador circulou entre veículos de imprensa, onde o então candidato à Prefeitura de Manaus, David Almeida (Avante), e seu vice, Marcos Rotta, eram mencionados em diálogos atribuídos a membros do Comando Vermelho (CV). Agora, com a investigação da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), que apura um esquema de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e suposta infiltração em instituições, o cenário político da capital amazonense é novamente sacudido.
Estima-se que o esquema criminoso envolveu movimentações de aproximadamente R$ 70 milhões em um período de quatro anos. No epicentro da operação está Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil e ex-chefe de gabinete de Almeida até 2023. Ela é um dos alvos principais da Erga Omnes, que também mira servidores associados ao Judiciário e Legislativo estadual.
Denúncias Retornam à Cena Política
A revelação do áudio em 2022 tinha como base um relatório elaborado a partir de informações coletadas em 2020. Nele, Almeida e Rotta eram citados em um contexto que insinuava uma aproximação entre a campanha deles e interlocutores ligados ao crime organizado. “Lenon procurou hoje uns candidatos lá, tal de David, para prefeito, e o vice, Marcos Rotta”, diz o trecho da gravação que veio à tona.
Além disso, as conversas revelavam promessas relacionadas a obras de infraestrutura na cidade. “Acho que alguém chegou nisso, sobre a nossa ponte, né? Que se comprometia a fazer bueiro e prometeu até asfalto”, consta no trecho divulgado. Em um outro momento, o áudio faz referência ao vice-prefeito de maneira elogiosa: “O Marcos Rotta é bom, mano. O Marcos Rotta asfalta mesmo”, indicando uma suposta propensão a favorecer obras em troca de apoio político.
Investigações Sobre Infiltração e Corrupção
A Operação Erga Omnes, embora não aborde diretamente o conteúdo do áudio de 2022, revela um quadro mais amplo de corrupção e tráfico de drogas com a participação de agentes públicos. “Identificamos a presença de agentes públicos no meio dessas transações”, informou Marcelo Martins, delegado responsável pela operação. O inquérito sugere envolvimento de autoridades do Executivo, Legislativo, Judiciário e até das forças de segurança.
A investigação teve início após a apreensão de mais de 500 tabletes de skunk e sete fuzis de uso restrito. “Desde agosto do ano passado, estávamos realizando investigações para combater a lavagem de dinheiro oriunda do tráfico de drogas”, explicou Martins. A partir dessas ações, os investigadores descobriram uma complexa divisão de tarefas, incluindo um núcleo financeiro que opera em pelo menos sete Estados brasileiros.
Novas Provas e Desdobramentos da Operação
O alcance da Operação Erga Omnes é significativo, com novas provas sendo coletadas. “Já obtivemos evidências relevantes nas buscas realizadas hoje”, revelou o delegado. O material apreendido tem o potencial de expandir o arcabouço probatório, possibilitando que as acusações relacionadas ao tráfico, lavagem de dinheiro e corrupção se solidifiquem.
A operação cumpriu 24 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, resultando em treze prisões até às 10 horas desta sexta-feira, com as investigações em andamento para localizar outros alvos foragidos. As autoridades seguem monitorando a situação com expectativa de novos desdobramentos na política de Manaus.
