Suspeita de Compra de Votos em Manaus
Um vídeo exclusivo da Rede Amazônica revela que o pastor Flaviano Paes Negreiros, líder da Igreja Pentecostal Unida do Brasil (IPUB), declarou ter recebido R$ 38 mil de um aliado do prefeito de Manaus, David Almeida. A Polícia Federal (PF) investiga a suposta compra de votos, que teria sido intermediada por Gabriel Alexandre da Silva Lima, genro do prefeito, durante a campanha eleitoral de 2024.
As declarações do pastor fazem parte de uma investigação que apura a suspeita de que a compra de votos estaria sendo feita por meio de lideranças religiosas na capital amazonense. O inquérito também examina mensagens, áudios e arquivos de quatro celulares apreendidos com líderes da IPUB um dia antes do segundo turno das eleições municipais de 2024.
No vídeo, ao ser questionado sobre o montante, Flaviano afirma: “Quanto foi ofertado para o senhor? 38 mil! E quem ofertou esse valor? Foi o David. Foi uma pessoa do David”.
Depoimentos Revelam Dinâmica de Financiamento
Um outro pastor, Werner Monteiro de Oliveira, também confirmou durante seu depoimento que o grupo recebeu a quantia em espécie, relatando: “A gente ganhou uma oferta 38 mil em espécie”. O portal g1 procurou a Secretaria Municipal de Comunicação para esclarecer as informações contidas no inquérito e o envolvimento do prefeito e seus familiares, mas até o momento não obteve resposta.
Ainda em um dos celulares analisados, atribuído a Flaviano, a PF encontrou conversas em um grupo de WhatsApp com um contato identificado como “Gabriel Davi Almeida”, que foi reconhecido como o genro do prefeito. As mensagens analisadas mostram líderes religiosos discutindo valores e estratégias relacionadas ao apoio político durante a campanha.
Um dos trechos destacados na perícia menciona um pedido direto a Gabriel para o envio de R$ 80 mil. Em um áudio, um pastor diz: “Se o senhor pudesse enviar todo aquele valor, os oitenta mil, para nós já dividir com todo mundo, para todo mundo se animar”. Essa mensagem sugere que o dinheiro seria repartido entre pastores e obreiros para fomentar apoio político.
A Investigação e Suspeitas de Negociação
Os investigadores acreditam que o valor de R$ 80 mil estava relacionado ao apoio político no segundo turno das eleições de 2024. Além disso, as mensagens indicam que um pagamento poderia ter ocorrido no primeiro turno, embora o valor não tenha sido detalhado.
A PF aponta que há diálogos em que líderes religiosos cobram os pagamentos pendentes que teriam sido prometidos por Gabriel. Em outra gravação, um pastor menciona a necessidade de contatar Gabriel para resolver a questão do pagamento: “Tem que ligar para o Gabriel para ver essa situação. Quem prometeu foi o Gabriel dar o restante do valor”.
Em um dos áudios, um pastor questiona colegas sobre se “já chegou o faz me rir”. Flaviano, por sua vez, responde que o dinheiro está “encravado”. Os investigadores também notaram que Flaviano fez cobranças diretas a Gabriel através de mensagens, reforçando a ideia de uma negociação financeira em troca de apoio eleitoral.
Mobilização de Apoio Político
Outros áudios obtidos nos celulares mostram que Gabriel também teria solicitado apoio na divulgação de sua campanha. Em uma mensagem destinada a um grupo de pastores, um dos investigados relata: “O Gabriel, genro do David Almeida, pediu para todos nós colocar o setenta no nosso WhatsApp, Facebook e Instagram”, referindo-se ao número eleitoral do candidato apoiado durante as eleições.
A PF interpreta essa mensagem como uma tentativa de mobilizar lideranças religiosas para ampliar a divulgação da campanha entre os fiéis.
Contato Frequente entre Gabriel e Líderes Religiosos
A perícia ainda identificou um contato constante entre Gabriel e líderes da IPUB, incluindo Flaviano Paes Negreiros. O relatório indica que as trocas de mensagens começaram em 25 de agosto de 2024, antes do primeiro turno das eleições. Foram encontrados registros de mensagens, áudios e fotos dos dois juntos.
Uma conversa analisada revela que Flaviano convocou líderes religiosos para uma reunião com Gabriel em uma cafeteria na Zona Oeste de Manaus, onde o apoio eleitoral da igreja e possíveis valores a serem pagos pela influência nos votos foram discutidos. A PF considera esses elementos como evidência de uma proximidade significativa entre as campanhas e as lideranças religiosas.
A Denúncia e as Ações da PF
A investigação sobre a suposta compra de votos que envolve o prefeito David Almeida (Avante-AM) está sendo conduzida pela PF desde 2024. Em 26 de outubro do mesmo ano, uma operação policial foi realizada, levando à apreensão de celulares que continham evidências relevantes.
Durante a operação, foram encontrados envelopes com R$ 21.650 em dinheiro, que supostamente faz parte dos R$ 38 mil recebidos de uma pessoa associada à campanha de Almeida. Esta situação gerou um clima de apreensão e expectativa em torno do desfecho deste caso envolvendo a política local.
