Mudanças no Comportamento dos Botos: Um Alerta Necessário
Manaus – Um pescador esportivo da Amazônia tornou-se a voz de um alerta crucial sobre uma consequência pouco discutida do ‘pesque e solte’: a alteração no comportamento dos botos. Esses mamíferos aquáticos começaram a acompanhar embarcações, capturando peixes que foram recém-devolvidos ao rio. Um vídeo gravado com um drone reacendeu o debate sobre a prática da pesca esportiva de maneira responsável e que respeite a preservação ambiental.
Nas imagens, um tucunaré jovem é fisgado, manuseado corretamente e devolvido à água. Em questão de segundos, um boto aparece ao lado da embarcação, capturando o peixe ainda em processo de recuperação. Para o pescador que registrou a cena, cada vez mais comum nos rios amazônicos, isso demonstra que simplesmente soltar o peixe não assegura sua sobrevivência.
Ele explica que o real problema não é a presença dos botos, mas a maneira como a soltura está sendo realizada. “Os botos são parte integrante do rio e do ecossistema. O comportamento deles se transformou devido à facilidade de alimentos disponíveis”, afirma no vídeo. O alerta é claro: pescadores devem optar por áreas rasas, com galhadas, vegetação submersa e outras estruturas naturais que ofereçam abrigo imediato ao peixe após a soltura.
Pesca Esportiva e Conservação: Um Compromisso Necessário
Profissionais da área de pesca esportiva e conservação lembram que o conceito de “pesque e solte” vai muito além de simplesmente devolver o animal à água. Envolve a redução do tempo em que o peixe permanece fora d’água, evitando ferimentos graves, utilizando equipamentos adequados e, principalmente, escolhendo locais de soltura que ofereçam uma chance real de escaparem de predadores e se recuperarem do estresse causado pela captura.
A situação também ilustra como a intervenção humana pode alterar a dinâmica natural dos rios. Ao associar a presença de barcos a uma fonte de alimento fácil, os botos passam a modificar seus hábitos de caça, tornando-se dependentes dessa oferta artificial. Esse tipo de condicionamento, embora observado em diversas regiões do mundo com diferentes espécies, pode acarretar consequências a longo prazo para a fauna local.
Os Riscos de Ignorar a Preservação Ambiental
Ambientalistas alertam que, se a prática de pesca esportiva não for ajustada, poderá haver consequências duplas: os peixes que não sobrevivem após a soltura e os botos, que alteram seu comportamento natural e se tornam mais vulneráveis à interação com humanos e embarcações.
A pesca esportiva é frequentemente vista como uma aliada da conservação, quando realizada de forma adequada, pois valoriza os peixes vivos, movimenta a economia local e incentiva a proteção dos ecossistemas aquáticos. No entanto, como o pescador destaca no vídeo, “pescar não é apenas soltar, é soltar da maneira correta”.
Esse episódio serve como um apelo à conscientização de todos que frequentam os rios da Amazônia: preservar não é apenas ter boas intenções, mas compreender o ecossistema e adaptar as práticas para que a natureza e o esporte possam coexistir de maneira equilibrada. É essencial que cada pescador entenda o seu papel na conservação e busque formas de garantir a saúde dos ambientes aquáticos e das espécies que neles habitam.
