Iniciativas para um Futuro Sustentável
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) do Amazonas apresentou, nesta quinta-feira (16 de abril), um plano audacioso voltado para a bioeconomia, que visa criar oportunidades concretas de negócios e atrair investimentos significativos para o estado. O lançamento do Plano Estadual de Bioeconomia foi detalhado por Milena Barker, chefe do departamento de bioeconomia e ações estratégicas, durante o painel central da 117ª edição do Meetup Jaraqui Valley. Este evento, promovido pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), abordou o tema ‘Da política pública ao projeto’.
O principal objetivo do encontro foi demonstrar como as diretrizes do plano podem ser eficazes na transição do papel estratégico para a execução de projetos que busquem pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&DI), além de fomentar negócios escaláveis na região. Durante sua apresentação, Milena enfatizou que o plano ora entra em uma nova fase, marcada pela implementação prática e pela articulação entre as instituições. “Estamos em um momento crucial de divulgação e implementação do Plano Estadual de Bioeconomia. A participação de todos os envolvidos é imprescindível. Precisamos unir forças para garantir que as ações cheguem até as comunidades que dependem da bioeconomia”, afirmou.
Ela também sublinhou a importância da colaboração entre instituições estratégicas e anunciou os próximos passos do projeto, que se concentrarão na governança colaborativa. “O plano avança para uma nova etapa, onde formaremos grupos de trabalho com a participação do governo, setor privado e sociedade civil. Na próxima semana, realizaremos uma consulta pública para que mais atores possam se engajar e colaborar. O intuito é somar esforços para tirar o plano do papel de maneira efetiva”.
Definição de Prioridades e Execução do Plano
Para estabelecer as prioridades do plano, o governo adotará critérios técnicos e transversais que incluem potencial de agregação de valor, impacto ambiental, inclusão social e conformidade com compras públicas sustentáveis. Negócios que englobem mulheres, jovens, agricultores familiares e comunidades tradicionais receberão atenção especial dentro desse contexto.
O horizonte de execução do plano está previsto entre 2025 e 2030, com um acompanhamento constante e avaliações periódicas. Entre as ações propostas estão a criação de um comitê gestor interinstitucional e a divulgação de uma agenda regulatória, além do lançamento de editais voltados para fomento.
Impactos Diretos na Economia Amazonense
Milena detalhou também como o plano poderá impactar diretamente o cotidiano da economia no Amazonas. Um dos principais eixos da proposta é a integração com o Polo Industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM), focando na chamada bioindustrialização. A ideia é estimular indústrias a utilizarem insumos da biodiversidade local, ampliando a produção nas áreas de biotecnologia, cosméticos, fármacos e alimentos processados.
Além disso, o fortalecimento das cadeias produtivas locais será uma prioridade, com investimentos em infraestrutura para o processamento de insumos nas comunidades. Isso permitirá que os produtores deixem de comercializar apenas matérias-primas e passem a vender produtos com maior valor agregado, como óleos, polpas e extratos.
Na esfera energética, o plano prevê uma redução de 50% no consumo de diesel até 2030, substituindo-o por fontes renováveis como energia solar e biomassa, o que também possibilitará a geração de créditos de carbono. No que tange ao campo regulatório, a proposta visa desburocratizar o acesso ao patrimônio genético, facilitando pesquisas e assegurando a repartição justa de benefícios com as comunidades tradicionais.
De acordo com Milena, o grande desafio consiste em mudar a lógica econômica da região, passando do extrativismo básico para um foco na agregação de valor. “O Amazonas possui insumos altamente valorizados mundialmente. O que precisamos é transformar isso em produtos, inovação e riqueza distribuída”, concluiu.
Conexão entre Instituições e Sustentabilidade
Durante o painel, Alcian Souza, diretor da Agência de Inovação e Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), ressaltou a importância da interconexão entre as instituições para viabilizar a bioeconomia na prática. Segundo ele, muitas iniciativas ainda permanecem restritas ao âmbito institucional e necessitam expandir sua abrangência. “É fundamental conectar competências, tanto internamente nas instituições quanto com parceiros externos, para que as soluções realmente cheguem à sociedade”, afirmou.
Luiz Frederico Aguiar, superintendente-adjunto executivo da Zona Franca de Manaus (Suframa), também enfatizou que o futuro da Amazônia está intimamente ligado à inovação e a investimentos estruturais. “O futuro da Amazônia precisa ser sustentável e inovador. Sem investimentos e inovação, não conseguiremos alcançar a Amazônia que desejamos”, concluiu.
