Queda nos Preços de Alimentos e Impacto da Política Internacional
No início de 2026, o mercado internacional de alimentos apresentou uma tendência de queda, com o Brasil contribuindo para essa redução. Dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) indicam que, em janeiro, houve uma significativa diminuição nos preços de carnes, lácteos e açúcar, que compensaram o aumento nos custos de cereais e óleos vegetais. O índice médio dos preços calculado pela FAO caiu 0,32% em comparação a dezembro e 0,64% em relação ao mesmo período do ano anterior, marcando a quinta queda consecutiva.
Essa diminuição nos preços é atribuída a uma produção agrícola global mais robusta, resultando em estoques mais confortáveis e uma movimentação cambial favorável, devido à desvalorização do dólar provocada pela política do governo Donald Trump. O mercado interno brasileiro também influencia os preços internacionais, e entre os dez produtos monitorados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), oito apresentaram queda de preços em janeiro.
Impacto no Consumidor e Aumento da Oferta
A redução nos preços pagos aos produtores reflete diretamente nos gastos dos consumidores. Em São Paulo, a inflação dos alimentos registrou uma leve alta de 0,11% no último mês, acumulando um total de 1,72% em 12 meses, conforme dados da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Para os cereais, os preços se mantiveram praticamente estáveis em relação a dezembro, mas apresentaram uma queda de 4,4% em comparação com janeiro do ano anterior.
As exportações de grãos da Austrália e do Canadá contribuíram para a baixa nos preços do trigo, embora haja certa preocupação com possíveis problemas climáticos que possam afetar a produção nos Estados Unidos e na Rússia. As projeções indicam uma safra de 28 milhões de toneladas na Argentina e estoques globais elevados, fatores que dificultam a recuperação dos preços do cereal no mercado. No Brasil, o preço da tonelada de trigo caiu 17% ao longo dos últimos doze meses.
Mercado Global de Milho e Arroz sob Análise
O milho apresentou uma leve redução média de 0,2% no mercado internacional, segundo a FAO. Apesar da baixa nos preços, as incertezas climáticas que afetam as lavouras do Brasil e da Argentina ainda geram preocupações. O cereal começou o ano de 2026 com uma queda de 10% nos preços em comparação a janeiro do ano anterior, conforme dados do Cepea. Por outro lado, o arroz, que tem visto uma demanda mais forte, registrou uma recuperação de 1,8% em seus preços em janeiro quando comparado a dezembro. Índia e Bangladesh devem aumentar a disponibilidade do grão, embora algumas regiões no Vietnã e nas Filipinas enfrentem desafios climáticos.
No Brasil, os preços do arroz estão 45% inferiores aos do ano passado no campo, enquanto o consumidor paga 26% a menos pelo produto no mesmo período, conforme apontado pela Fipe.
Preços da Soja e Laticínios com Queda Acentuada
A soja, com uma produção mundial recorde de 430 milhões de toneladas, segue com preços estáveis, conforme avaliação do Amis (Sistema de Informação de Mercado Agrícola). O incremento na produção brasileira impede novas altas, embora ainda haja incertezas relacionadas ao clima na Argentina.
Os produtos lácteos enfrentam uma das quedas mais acentuadas no mercado externo, com os preços atuais sendo 15% inferiores aos do ano passado, marcando a sétima redução mensal seguida. No Brasil, os preços do leite têm caído há oito meses, acumulando uma retração de 21,2% entre janeiro e novembro de 2025.
As carnes também apresentam uma tendência de queda no mercado internacional, com a diminuição dos preços da carne suína compensando os aumentos nas carnes bovina e de frango. No Brasil, os preços da carne de frango e suína caíram devido a uma melhor oferta, enquanto a carne bovina, impulsionada pela demanda externa, voltou a apresentar alta, segundo o Cepea. A mesma tendência é observada no varejo, conforme aponta a Fipe.
