Caboclos House Ecolodge e o Turismo Responsável
A Caboclos House Ecolodge, situada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro, no Lago do Acajatuba, em Iranduba, a apenas 27 quilômetros de Manaus, se destacou como finalista do 6º Prêmio de Turismo Responsável WTM Latin America 2026. Essa iniciativa, que começou como uma forma de sustento para uma mãe ribeirinha e suas três filhas, evoluiu para ser uma referência em turismo responsável na América Latina, focando no desenvolvimento sustentável.
A cerimônia de premiação acontecerá entre os dias 14 e 16 de abril, durante o evento WTM Latin America, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP). Essa premiação é um dos mais importantes reconhecimentos na área de turismo sustentável.
Início da Pousada e Crescimento da Iniciativa
Fundada em 2009 por Nilde Silva, a pousada teve suas origens em um contexto de necessidade, sem planejamento formal. O foco inicial era garantir o sustento das filhas sem deixar o território. Entretanto, Nilde rapidamente percebeu o potencial do turismo na região, e começou a envolver a comunidade local, valorizando a cultura e as tradições amazônicas.
“O turismo se mostrou uma oportunidade concreta, pois o interesse em conhecer a Amazônia já era evidente. Desde o início, nossa abordagem foi diferente, priorizando a participação da comunidade e a valorização de nossas raízes culturais e conhecimentos locais”, compartilhou Nilde.
Impacto na Comunidade e Oportunidades de Trabalho
Com o tempo, a Caboclos House expandiu suas operações e seu propósito, transformando-se em um modelo de turismo de base comunitária (TBC). Essa mudança teve um impacto significativo, pois não apenas gerou empregos, mas também fortaleceu o papel das mulheres na comunidade e tornou mais viável a permanência dos moradores na região, reduzindo a migração para centros urbanos, como Manaus.
A responsabilidade pela administração da pousada agora é compartilhada entre os membros da família, incluindo Aryane, filha de Nilde e recém-formada em Gestão de Turismo pela Universidade Nilton Lins. Esse avanço na formação acadêmica foi viabilizado através de uma parceria entre a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e a universidade, com apoio da Louis Vuitton Moët Hennessy (LVMH).
Experiências Únicas para os Visitantes
Os turistas que visitam a Caboclos House têm a oportunidade de vivenciar a natureza e a cultura local de forma autêntica. Atividades como trilhas na floresta, passeios de canoa, pesca, observação de fauna, oficinas e aulas de carimbó, além de visitas a aldeias indígenas, criam uma conexão profunda com o cotidiano amazônico.
Esse conjunto de atividades não apenas enriquece a experiência dos visitantes, mas também contribui para a preservação da cultura local. “Saberes que estavam se perdendo, como práticas culinárias, o uso de plantas e tradições diárias, estão sendo resgatados por meio das experiências que oferecemos”, afirmou Nilde, evidenciando a importância da valorização cultural.
Reconhecimento Internacional e o Futuro da Pousada
A Caboclos House Ecolodge já foi reconhecida como Travelers’ Choice Best of the Best 2025 pela Tripadvisor, colocando-a entre os 1% melhores empreendimentos do mundo. Agora, ao ser finalista do 6º Prêmio de Turismo Responsável WTM Latin America na categoria “Melhores Iniciativas para Promover a Diversidade, Equidade e Inclusão no Turismo”, Nilde vê essa conquista como um passo importante na busca por reconhecimento internacional.
“Esse prêmio, se conquistado, terá um significado profundo. Ele valida nosso trabalho e é motivo de orgulho para a comunidade, mostrando que o que é feito na Amazônia pode ter grande impacto e alcance”, comentou Nilde.
O Papel da FAS e o Futuro do Turismo de Base Comunitária
Valcléia Lima, superintendente geral-adjunta da FAS, reforça a importância do turismo de base comunitária. “Essa modalidade vai além da apreciação de paisagens. É uma ferramenta poderosa para a valorização cultural, geração de renda e fortalecimento das comunidades. A Caboclos House é um exemplo da força da mulher amazônica e prova de que é possível desenvolver a economia mantendo a floresta em pé”, concluiu.
