Reflexões sobre o Despertar do Ano e a Conexão com o Mar
Entramos em janeiro de 2026 e, com ele, a expectativa do primeiro banho de mar do ano. O recesso se foi, e muitos ainda acreditam que o verdadeiro início do ano só acontece após o Carnaval. Porém, para mim, o novo ano já começou, e já tive a oportunidade de realizar um dos meus desejos mais esperados: mergulhar nas águas do mar de Iracema.
Meus momentos à beira-mar sempre foram especiais. A imagem do primeiro banho de mar, aliás, ilustra a capa do meu único livro. A maré estava baixa, ideal para aproveitar as piscinas naturais formadas entre as pedras. Milton Dias, um cronista do jornal O Povo que admiro, diz que não existe mar como esse, e eu concordo plenamente. Mas é preciso ter atenção às manhas do lugar, pois um passo em falso pode resultar em uma topada indesejada quando a maré está cheia.
Conforme a praia foi se enchendo, a piscina de pedras tornou-se um espaço disputado, e logo decidi me aventurar em um mergulho. Fazia meses que ansiava por sentir a água salgada na pele; meu último banho havia sido em outubro. Uma tentativa de mergulhar nos últimos dias de 2025 não se concretizou devido às festividades que lotaram minha agenda.
O mar, para mim, é como uma grande esponja que absorve as energias negativas. Sinto um alívio ao perceber que ele leva embora a tristeza e a angústia que por vezes me cercam. Sempre que estou ali, com os olhos fechados escutando o som das ondas, agradeço pela oportunidade de estar naquele momento, pedindo bênçãos para aqueles que amo. O ritual de abrir a boca e sentir o sal do vento no rosto é um costume que aprendi a valorizar.
Com o hábito de ir mais ao mar ainda em fase de adaptação, é raro eu visitar a praia sem aproveitar um banho. No entanto, neste primeiro mergulho de 2026, enfrentei um verdadeiro desafio: água no nariz, areia nos ouvidos e uma sensação de estar dentro de um liquidificador, mesmo em águas rasas. O mês de janeiro traz as ressacas, e a presença de surfistas nas ondas me fez lembrar de que, mesmo no raso, o mar pode ser traiçoeiro, especialmente para quem, como eu, não sabe nadar.
Depois do banho, cheia de areia e com o nariz ardendo por causa da água salgada, procurei alívio em uma água de coco e fui tomar um banho na frente da icônica Ponte dos Ingleses. É curioso pensar que, após tanto tempo reclamando da falta de opções na cidade, agora posso desfrutar de um amanhecer nesse cenário tão querido e marcante.
Por vezes, fazemos pedidos e nos surpreendemos com resultados muito além do que imaginávamos. Esses presentes que a vida nos dá são, sem dúvida, o resultado de conexões poderosas. Neste caso, a vontade política de restaurar e conservar a ponte, unindo esforços do Estado e da Prefeitura, trouxe de volta um símbolo importante para a cidade.
Contudo, o desejo por mais não me abandona. Agora, minha nova meta é testemunhar o restauro da Ponte Metálica, a mais antiga das Longarinas do Ednardo. Consigo imaginar, já fechando os olhos, as duas pontes brilhando, prontas para fotos e celebrações. Será que estou sonhando demais? O tempo, certamente, revelará.
