Iniciativa Verde para Manaus
No dia 30 de dezembro de 2025, Yara Amazônia Lins, presidente do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), enviou uma missiva ao prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), apresentando uma proposta para um Plano Municipal de Infraestrutura Verde e Arborização Inteligente. Na correspondência, a conselheira expressou a intenção de reposicionar Manaus como um exemplo nacional em gestão climática, manejo de árvores e inovação pública, ressaltando a importância da participação social.
“Senhor Prefeito, Manaus vive um momento decisivo”, iniciou Yara. Ela destacou que, mesmo cercada pela maior floresta tropical do mundo, a cidade enfrenta sérios problemas como o aumento do calor extremo, a formação de ilhas de calor e a queda de árvores, especialmente nas áreas mais densamente povoadas. Para ela, é fundamental que as políticas de arborização deixem de ser fragmentadas e passem a receber a mesma atenção que as iniciativas de infraestrutura viária e saneamento.
A proposta é marcada por um chamado à colaboração. Yara enfatizou que o objetivo da carta é apresentar sugestões, sem imposições: “Esta carta tem natureza propositiva e colaborativa. Não pretende impor encaminhamentos, prazos ou obrigações à Administração Municipal”. Ela se colocou à disposição para fomentar um diálogo construtivo entre as secretarias municipais e outros parceiros, incluindo instituições acadêmicas e comunidades.
O plano não é fruto do improviso, mas de uma profunda análise que considera evidências científicas e práticas bem-sucedidas de outras cidades. Segundo ela, a proposta foi desenvolvida com o apoio de ferramentas de análise de dados e inteligência artificial, o que a torna ainda mais relevante para o contexto urbano de Manaus.
Yara também convidou a SUFRAMA e o Governo do Estado a se juntarem a essa iniciativa desde o princípio, com foco na construção de um projeto que valorize a sabedoria ancestral das comunidades locais. “Manaus merece essa demonstração de unidade, visão e compromisso com o bem comum”, afirmou.
Eixos Estratégicos do Plano
A proposta se organiza em diferentes eixos estratégicos que almejam integrar ciência, tecnologia e responsabilidade pública. Entre as sugestões apresentadas, destacam-se:
- Governança e Implementação: Criação de um Grupo de Trabalho de Infraestrutura Verde, que incluirá secretarias municipais envolvidas e o apoio de universidades para a definição de prioridades e coordenação de projetos.
- Fases de Implementação: A implementação seria dividida em três fases, começando com um projeto-piloto para mapear áreas críticas e ampliar o inventário das árvores da cidade.
- Inventário Digital: Um mapeamento contínuo das árvores da urbanização, abrangendo identificação de espécies e monitoramento de saúde fitossanitária.
- Manejo Inteligente: Adoção de práticas de poda fundamentadas em critérios técnicos para garantir a segurança e vitalidade das árvores.
- Corredores Verdes: Desenvolvimento de redes de sombra que conectem locais importantes, como escolas e terminais de ônibus, a fim de melhorar a mobilidade e reduzir o estresse térmico.
- Educação e Viveiros Comunitários: Implantação de viveiros em escolas e centros comunitários, promovendo educação ambiental e participação da comunidade.
- Inteligência Climática: Integração de dados climáticos para prever riscos e impactos ambientais na cidade.
- Programa “Manaus Respira”: Estabelecimento de metas anuais para o plantio de árvores nativas, com foco na adaptabilidade ao clima local.
- Marco Legal: Atualização das diretrizes do Plano Diretor para incluir uma Lei Municipal de Infraestrutura Verde.
- Transparência: Criação de um painel público com indicadores sobre arborização e saúde urbana, promovendo a cidadania e controle social.
O sucesso desse projeto depende da colaboração entre diferentes esferas da administração pública e da sociedade civil. A proposta de Yara Amazônia Lins representa uma oportunidade valiosa para que Manaus se destaque por suas iniciativas de sustentabilidade e cuidado ambiental.
