Divisões no Cenário Político do Amazonas
MANAUS (AM) – A prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, durante uma ampla operação militar realizada pelos Estados Unidos no último sábado, dia 3, gerou intensas reações no cenário político do Amazonas. Parlamentares e líderes locais se dividiram entre aqueles que apoiam a ação americana e aqueles que condenam o que consideram uma violação da soberania venezuelana.
Em vídeos compartilhados nas redes sociais, o vereador de Manaus, Coronel Rosses (PL), defendeu que a queda do regime venezuelano era uma consequência inevitável. Para ele, esse evento representa o fim de uma ditadura que, segundo suas palavras, trouxe censura, perseguição política e miséria ao povo da Venezuela. O parlamentar expressou solidariedade à população venezuelana e enfatizou que os responsáveis por “crimes brutais” devem ser levados à Justiça.
Rosses também abordou os possíveis efeitos diretos dessa situação para o Brasil e o Amazonas. Ele declarou que “a normalização institucional da Venezuela pode proporcionar um novo impulso ao Distrito Industrial de Manaus”, mas ressaltou que isso requer uma gestão competente, séria e com visão de futuro. O vereador, no entanto, fez um alerta sobre a necessidade de intensificar a segurança nas fronteiras, prevendo um aumento no fluxo migratório, que pode incluir aliados do regime deposto.
Expectativas em Relação a Outros Regimes na América Latina
Por outro lado, o deputado federal Alberto Neto (PL), em uma declaração pública nas redes sociais, expressou sua esperança de que “todos os ditadores da América Latina, sejam presidentes ou juízes, tenham o mesmo destino”, fazendo uma referência indireta ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
A pré-candidata ao Governo do Amazonas, Professora Maria do Carmo (PL), também se manifestou, apresentando um discurso mais abrangente e político. Ela lembrou que a recente história da Venezuela mostra que “o poder que não escuta o povo está condenado a ruir”. A professora relembrou o êxodo de milhões de venezuelanos, muitos dos quais encontraram abrigo em Manaus, e fez uma analogia entre a situação do país vizinho e os riscos da concentração de poder no Brasil e no Amazonas.
Para Maria do Carmo, a ditadura não é uma ideia abstrata, mas a realidade que traz sofrimento, medo e falta de liberdade. Ela ressaltou que o caso da Venezuela deve servir como um alerta e criticou o que chamou de “ditadura do poder judiciário”, defendendo que aqueles que deveriam proteger o povo não podem agir de forma arbitrária, imoral ou ilegal.
Críticas à Intervenção Militar dos EUA
Por sua vez, o vereador Zé Ricardo (PT) condenou a ação militar dos Estados Unidos, afirmando que a intervenção teria sido motivada por interesses relacionados ao petróleo venezuelano, e não por valores democráticos. De acordo com ele, a operação constitui uma “agressão à soberania” da Venezuela, caracterizada por bombardeios e pelo sequestro do presidente e de sua esposa, sem qualquer relação com os princípios democráticos.
Assim, a prisão de Maduro não apenas abalou a política interna da Venezuela, mas também reverberou intensamente entre os líderes amazonenses, revelando as tensões e divergências sobre o papel da intervenção externa nas questões internas de um país.
