A Falta de Ação e Planejamento da Semtepi
A retirada dos comerciantes das avenidas Noel Nutels e Bispo Pedro Massa não se resume a um mero reordenamento urbano. Essa ação expõe a ausência de sensibilidade social e, principalmente, a incoerência na administração pública de Manaus. Se a prefeitura busca organizar a cidade, onde está a Secretaria de Trabalho, Inovação e Empreendedorismo (Semtepi) para apresentar alternativas viáveis?
A necessidade de uma estrutura pública organizada é inegável, mas a forma como isso está sendo feito gera questionamentos. Com a retirada, dezenas de famílias que atuavam há mais de 20 anos no local foram severamente impactadas, e não existe um plano claro de realocação, capacitação ou acesso a linhas de microcrédito. Retirar é um processo simples; a verdadeira dificuldade reside na construção de soluções efetivas. A cidade demanda políticas públicas que equilibrem mobilidade urbana com dignidade econômica.
O ideal seria que iniciativas como centros de comércio popular, programas de formalização e apoios técnicos fossem implementadas antes de qualquer operação de remoção. Caso contrário, a gestão envia a mensagem de que o trabalhador informal é um problema a ser eliminado, em vez de um empreendedor que merece apoio. A Semtepi, que deveria ser um pilar de suporte, precisa se tornar visível através de ações concretas.
A Visão de um Desenvolvimento Sustentável
Para que haja um verdadeiro desenvolvimento, não basta retirar barracas e comerciantes. É fundamental criar oportunidades que garantam a inclusão e o crescimento econômico. A falta de um planejamento adequado e da presença da Semtepi em ações práticas mostra uma desconexão preocupante entre as políticas anunciadas e a realidade vivida pelas pessoas. Um especialista que preferiu não se identificar mencionou: “As ações precisam ir além do discurso. É necessário um plano que considere as reais necessidades da população”.
Além disso, a ausência da secretaria em questões práticas levanta críticas sobre sua atuação. É preciso que a Semtepi não só promova a formalização, mas que também ajude na capacitação dos trabalhadores informais e na criação de alternativas viáveis que atendam suas necessidades. A ineficiência em responder a essas demandas pode resultar em um agravamento da situação econômica para muitos que dependem do comércio informal.
Em resumo, a questão não é apenas retirar o que está visivelmente desorganizado, mas também entender e resolver a problemática que isso traz para a cidade. O desafio é construir uma Manaus onde todos possam prosperar, e isso requer um compromisso real da prefeitura e de suas secretarias em apoiar o empreendedorismo e a dignidade do trabalhador.
