Repercussões da Operação Erga Omnes
MANAUS (AM) – O vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza, do Progressistas, decidiu não responder às declarações do prefeito de Manaus, David Almeida, que o citou como responsável pela indicação da Revoar Turismo para a compra de passagens aéreas ao Caribe. A fala de Tadeu foi registrada nesta quarta-feira, 25, durante uma agenda oficial, onde ele reafirmou sua postura de não revidar ou tentar justificar suas ações.
A Revoar Turismo se tornou o centro das atenções após a deflagração da Operação Erga Omnes pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) na última sexta-feira, 20. A operação resultou na prisão do empresário Alcir Queiroga Teixeira Júnior, dono da agência, que está sendo investigado por suposto envolvimento em uma organização criminosa relacionada ao tráfico de drogas e outras atividades ilícitas.
“Quando eu abracei a vida pública, eu sabia que eu ia ser escrutinado dia e noite. […] Eu não vou revidar, eu não vou ficar fazendo qualquer tipo de justificação”, declarou Tadeu, enfatizando que os desdobramentos da operação estão agora sob a responsabilidade das instituições competentes.
Declarações do Prefeito de Manaus
A polêmica se intensificou em razão das declarações de David Almeida, que na segunda-feira, 23, afirmou que a Revoar foi uma agência indicada por Tadeu. “Que culpa eu tenho de comprar passagem numa agência de viagem que me foi indicada pelo vice-governador Tadeu de Souza? Quando vocês forem comer num restaurante, cuidado, porque você não sabe se o dono do restaurante pode estar sonegando impostos”, disse o prefeito, defendendo sua posição.
Detalhes da Operação e Investigações
A Operação Erga Omnes, que se concentra na investigação da Revoar Turismo, também levou à prisão de Anabela Cardoso Freitas, uma assessora pessoal do prefeito Almeida. De acordo com o relatório da polícia, Anabela fez uma transferência significativa de R$ 1.351.942,00 ao empresário Alcir Queiroga Teixeira Júnior, o que levantou suspeitas sobre a origem do dinheiro e possíveis ligações com atividades criminosas.
O relatório que fundamenta as prisões revela que há 24 pessoas sob suspeita de fazer parte de uma organização criminosa dedicada ao tráfico de drogas, incluindo a colaboração de traficantes de outros estados e a participação de agentes públicos. A transferência do montante em questão é considerada um dos pontos cruciais na investigação da PC-AM.
O valor foi classificado como atípico e desproporcional à renda de Anabela, levando as autoridades a investigarem possíveis práticas de lavagem de dinheiro. Relatórios do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) informam que não foram encontradas justificativas formais para a movimentação financeira.
As investigações também englobaram consultas a cartórios de Manaus, na tentativa de descobrir se houve aquisição ou venda de imóveis que pudessem explicar a transação, mas não havia registros de negociações que se encaixassem nas circunstâncias. A falta de documentação comprobatória reforçou as suspeitas de ocultação de ativos. A Revoar Turismo é considerada na investigação como uma empresa fantasma.
Envolvimento e Consequências
O nome de Anabela figura como “Principal Envolvido” no Relatório de Inteligência Financeira (RIF) nº 132265 do Coaf, que analisou movimentações financeiras superando R$ 70 milhões ligadas à rede criminal em investigação. A situação continua a se desenrolar, com a expectativa de novos desdobramentos à medida que as investigações da PC-AM avançam.
