Iniciativa Cultural no Interior do Amazonas
O projeto “Oficinas formativas em Teatro do Oprimido: possíveis experimentações para narrativas (auto)biográficas no ensino de ciência e a vida” dá início, neste mês, a uma nova fase de atividades em três cidades do interior do Amazonas: Coari, Iranduba e Rio Preto da Eva. Com o apoio do Governo do Amazonas, através da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, e do Governo Federal, via Política Nacional Aldir Blanc, a iniciativa visa ampliar o acesso às artes cênicas e fortalecer as ações culturais em contextos educativos e sociais.
As oficinas, que são gratuitas, têm como foco principal o atendimento a públicos em situação de vulnerabilidade social, permitindo que essas pessoas tenham a oportunidade de se expressar artisticamente e explorar a linguagem teatral. Ao todo, as atividades foram planejadas para proporcionar um ambiente de aprendizado e troca de experiências, por meio de jogos teatrais, improvisações e exercícios de criação.
No município de Coari, localizado a 363 quilômetros da capital Manaus, as atividades ocorrerão nos dias 6 e 7 de janeiro de 2026, na Associação Pestalozzi. Em parceria com o músico Kerby Groove, as oficinas atenderão crianças e adolescentes, com uma programação intensa de atividades das 8h às 16h.
Oficinas em Iranduba e Rio Preto da Eva
Na sequência, na terceira semana de janeiro, o projeto se deslocará para Iranduba, que fica a apenas 27 quilômetros de Manaus. As oficinas serão realizadas no Lar Terapêutico Ágape, com foco em homens jovens, adultos e idosos que estão em processo de reabilitação. Assim como em Coari, estas atividades terão duração de dois dias, também das 8h às 16h.
Em Rio Preto da Eva, a 57 quilômetros da capital, as oficinas acontecerão no Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz, atendendo tanto homens quanto mulheres, sempre no mesmo horário. Essa localidade, assim como as anteriores, será um espaço de acolhimento e desenvolvimento artístico.
Objetivos e Impacto Social
Conforme explica Jackeline Monteiro, coordenadora do projeto, as oficinas têm como meta primordial a promoção da inclusão social por meio da arte. “Todo o processo desenvolvido busca possibilitar que o teatro chegue a públicos que, muitas vezes, não têm acesso a essa linguagem artística, criando oportunidades de escuta, expressão e fortalecimento coletivo”, destaca.
Essas atividades de janeiro são uma continuação das ações que já ocorreram em Novo Airão e Manaus. Em Novo Airão, o enfoque foi nas questões relativas à preservação ambiental e a valorização do território amazônico. Já em Manaus, as apresentações culminaram na montagem do espetáculo “Um Sonho de Natal”, que aconteceu em 20 de dezembro, no Centro Espírita Casa do Caminho.
Metodologia e Formação
Desenvolvido pelo Coletivo Allegriah, o projeto baseia-se na metodologia do Teatro do Oprimido, criada por Augusto Boal, e representa um desdobramento da pesquisa de mestrado de Jackeline Monteiro, no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências na Educação Básica (PPEGEEC) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
O arte-educador e oficineiro Leandro Lopes enfatiza a importância dessa metodologia para fomentar reflexão e o reconhecimento do território. “O Teatro do Oprimido permite que cada participante se reconheça como sujeito ativo da cena e da própria história, fortalecendo vínculos comunitários e a participação social”, conclui.
