Desafios e Prioridades na Gestão de Pessoas em 2026
O clima de otimismo, embora presente entre os gestores de recursos humanos, vem acompanhado de uma crescente incerteza que afeta os principais desafios e tendências da gestão de pessoas para 2026. Essa análise é fundamentada em dados coletados pelo Great Place to Work (GPTW), que realizou uma pesquisa com 1.577 profissionais entre novembro e dezembro de 2025. Desses, 1.346 são brasileiros e 227 de outros países da América Latina, abrangendo diversos setores e portes de empresas. Vale destacar que 69,5% dos respondentes estão em cargos de liderança, sendo 68,8% da área de recursos humanos.
O relatório revela que 63,4% dos entrevistados estão otimistas em relação às oportunidades de negócios nas empresas onde atuam, enquanto 35,4% manifestam incerteza. Esses números caíram em comparação com a pesquisa anterior, onde 71,5% estavam otimistas e apenas 27,1% mostravam insegurança.
Em meio a esse cenário otimista, os desafios predominantes para a gestão de pessoas incluem: desenvolvimento e capacitação da liderança, contratação de profissionais qualificados, comunicação interna, engajamento do pessoal, evolução da cultura organizacional, redução do turnover, saúde mental e a adoção de novas políticas de trabalho, como remoto e híbrido. A inteligência artificial e a sucessão de lideranças também estão entre as questões a serem enfrentadas.
O Papel Fundamental da Liderança
Daniela Diniz, chief communications officer do Great Place to Work Brasil, enfatiza que o desenvolvimento das lideranças tem se consolidado como prioridade máxima no RH, destacando que isso já estava entre os três principais desafios há anos. Ela alerta que as lideranças precisam entender que a gestão de pessoas não pode mais ser feita como nas décadas passadas. “Estamos lidando com cinco gerações no mercado de trabalho e a preocupação com a saúde mental é vital. A entrega de resultados precisa ser feita de maneira flexível, com feedback constante e diálogo ativo”, afirma Diniz.
Quanto às prioridades para a gestão de pessoas em 2026, o relatório destaca: a evolução da cultura organizacional, o comprometimento dos colaboradores, a comunicação interna, a contratação de profissionais qualificados, a saúde mental, a experiência do colaborador e o fortalecimento da marca empregadora.
A Importância da Saúde Mental no Ambiente de Trabalho
A saúde mental, que anteriormente ocupava um lugar de destaque nas preocupações das empresas, agora caiu algumas posições na lista de prioridades. No entanto, Diniz argumenta que isso não significa que o tema tenha perdido relevância. “Percebemos uma maior maturidade das empresas em relação a essa questão”, diz. A pesquisa indica que 98,1% dos respondentes acreditam que a saúde mental e emocional é crucial para a gestão de pessoas, e 63,3% relatam que há orçamento dedicado a essa área. Uma crescente diversificação nas práticas voltadas para a saúde mental também foi observada, com 47,8% das empresas realizando palestras e rodas de conversa e 35,3% implementando mapeamentos de riscos psicossociais.
Além disso, 31,8% das empresas investem em treinamentos voltados para lideranças, 30,6% oferecem terapia online como benefício, e 24,7% contratam psicólogos para atender os funcionários.
Contratação e Formato de Trabalho: Desafios e Oportunidades
A contratação de talentos é outro desafio significativo para o RH, refletindo nas prioridades para 2026, como engajamento de equipes, experiência do colaborador e fortalecimento da marca empregadora. Diniz menciona que a escassez de profissionais qualificados é um obstáculo crítico, especialmente em estados como Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás e Paraná.
O formato de trabalho adotado pelas empresas também impacta na atração e retenção de talentos. A pesquisa indica que, atualmente, 51,1% dos participantes estão em empresas que operam no modelo presencial, 41,3% em modelos híbridos e apenas 7,6% estão totalmente remotos. A pesquisa revelou que 37,1% dos entrevistados acreditam que o modelo de trabalho influencia fortemente na contratação de pessoas e que a desistência de candidatos por conta do formato é uma realidade. Além disso, empresas remotas apresentam taxas de turnover mais baixas em comparação às presenciais.
Diversidade, Equidade e Inclusão: Um Cenário Preocupante
Por fim, a pesquisa aponta um esvaziamento na agenda de diversidade, equidade e inclusão (DE&I). Enquanto 10% dos respondentes consideravam DE&I uma prioridade em 2025, esse número caiu para 7,2% nesta edição. Embora 54,2% das empresas afirmem manter o tema relevante, 76,5% dos respondentes não possuem uma área dedicada a essas práticas e 51% não têm orçamento alocado para iniciativas de DE&I.
