Custodiados se Opoem à Transferência
Manaus (AM) – Na manhã desta terça-feira, 12, a transferência dos militares do antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas trouxe à tona momentos tensos. Durante a Operação Sentinela Maior, os presos se recusaram a deixar a unidade. As negociações para sua remoção ao antigo Centro de Detenção Feminino (CDF), localizado no Km 8 da Rodovia BR-174 (Manaus-Boa Vista), já duravam aproximadamente quatro horas.
A ação foi deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) e teve início por volta das 6h, envolvendo diversas equipes, incluindo a Polícia Militar do Amazonas (PM-AM) e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP). A expectativa é que cerca de 70 custodiados sejam levados para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM), que funciona nas instalações do antigo CDF.
Preocupações com Segurança
De acordo com o presidente da Associação das Praças da Polícia e Bombeiro Militar do Amazonas (APPBMAM), cabo Guthemberg Oliveira, que está acompanhando a situação, existe um temor entre os presos em relação à nova unidade. “Os policiais, durante o período que estavam trabalhando para a Polícia Militar, realizaram diversas detenções e prisões, o que os transforma em alvos fáceis dentro de um sistema prisional”, afirmou.
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A transferência ocorre em um contexto de crise, tendo em vista que em fevereiro deste ano, uma revista de rotina revelou a ausência de mais de 20 policiais militares, que deixaram a unidade sem autorização legal. Esse episódio gerou investigações e a necessidade de uma reformulação no sistema de custódia militar no Estado.
Negociações em Andamento
Fontes da REVISTA CENARIUM relataram que as negociações para a transferência estão sendo conduzidas pelo comandante do Comando de Policiamento Especializado (CPE), coronel Alysson Lima, e pelo comandante do Choque, tenente-coronel Marcelo Cruz. A operação é uma ação conjunta da 60ª Promotoria Especializada no Controle Externo da Atividade Policial (Proceapsp), Polícia Militar do Amazonas e a SEAP.
A nova unidade foi criada em resposta a uma série de irregularidades encontradas no antigo núcleo prisional militar. Em fevereiro, a corporação constatou que 23 policiais militares custodiados haviam saído do local sem autorização judicial ou administrativa.
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Localização e Futuro do Antigo Núcleo
Atualmente, cerca de 70 presos militares estão na unidade situada no bairro Monte das Oliveiras, na Zona Norte de Manaus. Depois que os militares forem transferidos, o núcleo será desativado. A operação é apoiada por policiais do 1º Batalhão de Policiamento de Choque – Batalhão Coronel Mar, do grupamento de Manejo de Artefatos Explosivos (Marte) e do Regimento de Policiamento Montado Coronel Bentes (RPMon).
Objetivo da Transferência
Conforme o MP-AM, a instalação da UPPM/AM visa fortalecer o sistema de custódia de presos militares, ampliar o controle operacional e aumentar a segurança no monitoramento dos internos. Essa mudança representa o fim das atividades do antigo núcleo.
Irregularidades Levam a Reestruturação
O caso que motivou a reestruturação do sistema prisional militar ficou evidente no dia 27 de fevereiro, quando a Polícia Militar percebeu a ausência de 23 custodiados durante uma inspeção de rotina no antigo Núcleo Prisional. Após essa descoberta, os policiais responsáveis pela unidade foram afastados e a Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) deu início a investigações internas.
No dia 28 de fevereiro, o então diretor da unidade, major Galeno Edmilson de Souza Jales, teve sua prisão preventiva decretada pela Justiça do Amazonas, a pedido do Ministério Público. Em março, o MP-AM lançou a Operação Sentinela com o objetivo de investigar um possível envolvimento de policiais militares na facilitação das saídas irregulares dos custodiados, resultando na prisão preventiva de dois PMs e na execução de mandados de busca e apreensão contra outros investigados. Segundo a 60ª Proceapsp, os militares envolvidos na guarda do estabelecimento estavam de serviço no dia em que ocorreu a evasão.
