Exploração e sofrimento: a verdade por trás do turismo com elefantes na Tailândia
O uso de animais para entretenimento humano remonta à pré-história, onde rituais e encenações com bichos eram comuns. Contudo, isso não justifica a continuidade dessa prática. Nos últimos anos, o debate acerca da exploração animal se intensificou, levando à criação de leis de proteção e conservação em várias partes do mundo. Na Tailândia, um país conhecido por sua rica cultura e turismo, a indústria que envolve elefantes parece ter se recuperado rapidamente após a pausa forçada pela pandemia de Covid-19. Mesmo com a legislação existente que deveria proteger esses animais, uma nova pesquisa da Proteção Animal Mundial revela uma realidade alarmante: dois terços dos elefantes utilizados em atividades turísticas no país sofrem em cativeiro.
Esse dado é parte do relatório intitulado “Bred to Entertain” (Criados para Entreter), o mais recente estudo da organização não-governamental. A pesquisa avaliou 236 locais turísticos que mantêm 2.849 elefantes na Tailândia entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025, embora sua base de dados se estenda por 15 anos de monitoramento da indústria de turismo com elefantes no país.
Historicamente, os elefantes foram utilizados em guerras e como meio de transporte. Com o tempo, essa prática evoluiu para o turismo, especialmente após a proibição do uso de elefantes em atividades de exploração florestal na Tailândia. Apesar das restrições, os espetáculos e passeios com esses animais continuam a ser populares, e os números indicam que essa exploração ainda está longe do fim.
Dados reveladores sobre a situação dos elefantes
A pesquisa identificou que os 2.849 elefantes mantidos em locais turísticos representam um aumento em relação aos dados de 2019, coletados pela mesma ONG. A Proteção Animal Mundial alerta que a reprodução de elefantes jovens ainda ocorre, perpetuando um ciclo problemático que garante um fluxo contínuo de novos animais para o turismo. “O número se mantém elevado, e a situação não parece melhorar”, destaca um porta-voz da organização.
Mais da metade dos elefantes avaliados são mantidos em correntes curtas durante o dia, com poucas oportunidades de socialização e interação. As condições de vida desses animais são alarmantes, com dietas inadequadas que resultam em problemas de saúde, ambientes insalubres e longos períodos em superfícies de concreto, que não são adequadas para a espécie. Além disso, eles são forçados a interagir com turistas em diversas atividades, como passeios, banhos e apresentações, muitas vezes em detrimento do seu bem-estar.
“Na natureza, os elefantes vivem em grandes manadas, interagindo continuamente e estabelecendo laços duradouros. Eles percorrem longas distâncias em busca de alimentos variados, que incluem uma ampla gama de plantas e frutas”, explica Júlia Trevisan, coordenadora de vida silvestre da Proteção Animal Mundial. “Em cativeiro, essa realidade é drasticamente alterada. Eles têm limitações severas em suas interações e recebem uma alimentação restrita. Somos veementemente contra qualquer atividade turística que envolva contato direto com animais silvestres, como os elefantes, que são criaturas inteligentes e sensíveis, afetadas psicologicamente por essa forma de exploração”, complementa.
Reflexão sobre o turismo responsável
Assim, é importante refletir sobre a responsabilidade de cada turista e a necessidade de promover um turismo mais ético e consciente. Escolher atividades que respeitem a vida selvagem e a dignidade dos animais deve ser uma prioridade. O turismo pode ser uma ferramenta poderosa de educação e conservação, mas somente se for praticado com respeito e consideração pelo bem-estar dos seres vivos que compartilham nosso planeta.
