O Turismo Como Força Cultural e Humana
No dia 16 de janeiro, Alexandra Priante, presidente da ENIT SpA, a Agência Nacional Italiana de Turismo, será uma das participantes do BOOST 2026, onde debaterá no painel “Será o Turismo uma Plataforma para a Inovação?”. Com uma vasta experiência na promoção do turismo italiano e como ex-diretora de Turismo da ONU para a Europa, Priante compartilhará sua perspectiva sobre crescimento sustentável, responsabilidade social e o papel da tecnologia no futuro do turismo.
Em um cenário de crescimento acelerado do turismo global, Priante enfatiza a importância da sustentabilidade e da responsabilidade social. “Quando o turismo cresce rapidamente, corre-se o risco de confundir volume com valor. ESG (Ambiental, Social e Governança) não é um ‘extra simpático’: é o sistema operacional do turismo moderno”, afirma. Para ela, é fundamental que os países adotem três salvaguardas essenciais: uma governança clara, a mensuração do impacto e o consentimento da comunidade, garantindo que os benefícios do turismo sejam equilibrados entre residentes e visitantes.
Durante sua participação no BOOST 2026, Priante discutirá como a inovação, a diversidade e a utilização de dados podem transformar a indústria turística. A estratégia abrange desde o equilíbrio entre o desenvolvimento e a proteção da identidade local até a aplicação inteligente da tecnologia para proporcionar experiências mais ricas e sustentáveis. A visão de Priante é clara: o turismo deve não apenas buscar crescimento, mas promover valor, propósito e responsabilidade.
Crescimento Sustentável: Desafios e Oportunidades
Conforme o turismo se expande, um dos maiores desafios é não confundir volume com real valor. “O crescimento sustentável não é uma negação ao turismo, mas sim uma afirmação ao turismo certo, no ritmo certo, nos lugares certos”, explica Priante. Ela destaca a necessidade de uma governança que defina claramente responsabilidades e decisões, além de mensurar fatores que vão além do número de visitantes, como a pressão sobre recursos naturais e a percepção da comunidade local.
A governança deve ser centrada na comunidade, garantindo que os residentes sintam que o turismo traz melhorias e não distúrbios à sua qualidade de vida. Essa abordagem é essencial para a manutenção da licença social do turismo, uma vez que, sem a aceitação da população local, a continuidade das atividades turísticas pode ser comprometida.
Estratégias para um Turismo Resiliente
Priante, com sua vasta experiência, reforça que a diversidade deve ser vista como uma vantagem competitiva no turismo europeu. “A prioridade é construir uma estratégia que seja coerente nos princípios, mas flexível na execução”, afirma. Para ela, o que une os países europeus é a necessidade de resiliência e inovação, enquanto as diferenças estão nas capacidades de governança e nas expectativas das comunidades.
Ela defende a criação de pilares comuns, como transições digitais e verdes, inclusão e preparação para crises, permitindo que cada país aplique soluções adaptadas à sua realidade. “No turismo, não existem soluções universais. Normas e aprendizados compartilhados são fundamentais para acelerar o progresso”, complementa Priante.
Perspectivas para a Itália e Comparações com Portugal
Como presidente da ENIT, Priante também enfatiza que o turismo italiano vai além de suas cidades icônicas, como Roma e Veneza. “A Itália é uma coletânea de milhares de lugares, histórias e pessoas. Nossa missão é tornar essa riqueza acessível e competitiva, sem perder a autenticidade”, declara.
Em relação à estratégia turística de Portugal, Priante observa que o país se destaca como um dos exemplos mais inteligentes e criativos da Europa. “Portugal se posiciona com uma identidade forte, criando campanhas que ressoam e se traduzem em execução eficaz. Tornou-se um destino de alto valor emocional, seguro e culturalmente rico”, analisa.
No entanto, ela alerta para o desafio de gerenciar esse sucesso, equilibrando a demanda durante as diferentes estações e garantindo que o crescimento beneficie tanto os visitantes quanto os residentes locais. “A questão é como permanecer desejável sem se tornar saturado”, reflete Priante.
O Papel da Tecnologia e Inovação no Futuro do Turismo
A tecnologia, segundo Priante, deve ser uma aliada no turismo, trazendo maior humanização ao setor. “Ferramentas digitais podem ajudar a planejar melhor e personalizar experiências, mas a inovação deve ter um impacto positivo”, ressalta. Ela acredita que a melhor tecnologia é aquela que enriquece a experiência e promove a sustentabilidade dos destinos.
Entretanto, Priante também menciona os riscos associados à transformação digital, como a perda de controle sobre dados e a dependência de plataformas digitais. Em resposta a esses desafios, ela defende uma governança inteligente da tecnologia, que inclua cooperação entre os setores público e privado, promovendo normas transparentes e literacia digital.
Diretrizes para um Futuro Turístico Sustentável
Para os responsáveis pela tomada de decisões em Portugal, Priante deixa conselhos valiosos. É fundamental proteger a vida comunitária, gerenciar fluxos de visitantes e investir em talentos e inovação. “A melhor estratégia é mover-se de um crescimento desenfreado para um crescimento com propósito. Portugal pode liderar a Europa, mostrando que é possível equilibrar sucesso com humanização”, conclui.
