A Soberania Latino-Americana e as Agendas Coloniais
No último sábado, 21 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso contundente na 10ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e no I Fórum Celac-África, realizado em Bogotá. Durante sua fala, Lula abordou as crescentes ameaças à soberania da América Latina e do Caribe, criticando a política colonialista adotada pelos Estados Unidos (EUA) em relação a países da região.
“Não é possível alguém achar que é dono dos outros países. O que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático?”, questionou o presidente, enfatizando a necessidade de respeito à autodeterminação dos povos. Lula também instigou a reflexão sobre a legitimidade das invasões, indagando em que parte da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) se encontra a permissão para que um líder possa invadir outro país.
A Questão dos Recursos Naturais e o Destino da Bolívia
Em seu discurso, Lula citou a Bolívia como exemplo de uma nação sob pressão para exportar seus minerais críticos, como o lítio, essenciais na produção de baterias elétricas, que são fundamentais para a transição energética. Ele mencionou que o passado colonial da América Latina e da África incluiu o saque de riquezas, reforçando que agora é o momento desses países se apropriarem de seus recursos para impulsionar seu próprio desenvolvimento.
“Aqui, neste plenário, todo mundo tem experiência de que o seu país já foi saqueado em tudo que é ouro, prata e minério. Já levaram quase tudo da Bolívia. Agora que eles têm minerais críticos, essa é a chance para não serem meros exportadores”, acrescentou, defendendo que esses recursos devem ser utilizados para o crescimento tecnológico e para a produção de combustíveis alternativos na região.
Reflexões sobre o Papel da ONU e a Realidade Global
Lula também criticou a ineficácia do Conselho de Segurança da ONU, que, segundo ele, não tem conseguido conter conflitos em várias partes do mundo. O presidente mencionou guerras em locais como Gaza, Líbia, Iraque e na Ucrânia, e questionou: “O que estamos vendo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas, são eles que fazem as guerras”.
Ele apelou por uma reavaliação do papel do Conselho de Segurança, propondo que mais países sejam incluídos para que representações mais equitativas possam ser garantidas. “Quando é que a ONU vai convocar uma reunião extraordinária para decidir qual é o papel dos membros do Conselho de Segurança?”, indagou.
Um Apelo à Ação Contra a Desigualdade
O presidente brasileiro chamou atenção para a discrepância entre os gastos em armamentos e os recursos destinados ao combate à fome. “Enquanto se gastou no ano passado US$ 2,7 trilhões em armas e guerras, ainda temos 630 milhões de pessoas passando fome”, lamentou.
Além de Lula, a cúpula também contou com a presença de outros líderes, como o presidente colombiano Gustavo Petro e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, entre outros. Juntos, os 55 países da União Africana e os 33 países da Celac representam aproximadamente 2,2 bilhões de pessoas.
Lula enfatizou a importância da cooperação entre as nações africanas e latino-americanas, ressaltando que o multilateralismo pode servir como um meio de promover investimentos e comércio. A luta por uma ordem mais justa e igualitária continua sendo um dos principais objetivos, pois, segundo ele, “essa é a guerra que temos que fazer para acabar com a fome na África e na América Latina, acabar com o analfabetismo e a falta de energia elétrica”.
