Ato Emocionante de Venezuelanos no Centro de Manaus
Na tarde deste sábado (03/12), um expressivo grupo de venezuelanos se congregou no Largo de São Sebastião, localizado no coração de Manaus, em um ato carregado de emoção. A manifestação ocorreu em resposta a ações atribuídas aos Estados Unidos contra o regime de Nicolás Maduro, que foram amplamente divulgadas ao longo do dia.
Durante o evento, os participantes entoaram o hino nacional da Venezuela, gritaram por liberdade e exibiram as bandeiras do país. Apesar do clima de união e esperança, eles enfatizaram que aquele não era um momento de celebração. Jofre, um dos representantes do grupo, expressou: “Ficamos com um sentimento profundo ao acompanhar essa notícia em todos os meios de comunicação. Existe uma certa alegria, mas isso aqui não é uma festa”.
Ele ainda ressaltou que a mobilização tinha o objetivo de estabelecer um diálogo direto com os brasileiros. “Fazemos esse apelo para dizer ao cidadão brasileiro: estamos aqui e precisamos de ajuda”, afirmou. “Enfrentamos um regime armado e nos sentimos desprotegidos”.
Jofre também comentou sobre a expectativa em relação à atuação internacional, especialmente por parte dos Estados Unidos. “O que ocorreu não é uma invasão, mas sim uma pressão. Agradecemos ao presidente Donald Trump pela ação contra Maduro, para que ele possa responder à justiça americana”, declarou.
O ativista acredita que o momento representa uma possível virada após décadas de sofrimento. “São 26 anos de sofrimento, afastados da nossa realidade”, relatou. “Chegamos aqui em Manaus e, no início, até perdemos nossa cidadania. Contudo, o Brasil nos acolheu com braços abertos.”
Histórias de Superação e Resiliência
No ato, Jofre compartilhou sua experiência ao chegar a Manaus em 2017. “Eu estava desidratado, com apenas uma mala cheia de sonhos”, recordou. “Manaus, a Amazônia e o Brasil me proporcionaram a oportunidade de recomeçar.”
Ele destacou que a comunidade venezuelana presente na manifestação é composta por profissionais de diversas áreas, como advogados, professores e trabalhadores da PDVSA. “Sou formado em administração e técnico em eletrônica. Hoje, tenho minha própria empresa na Praça 14 e contribuímos para o crescimento da Amazônia”, disse orgulhoso.
Quando questionado sobre a possibilidade de retornar à Venezuela, Jofre foi cauteloso. “O desejo de voltar para casa sempre estará presente. No entanto, neste momento, voltar é cruel. Se retornarmos, enfrentamos a prisão”, afirmou. “O regime ainda está no poder. Esse ato é apenas um passo.”
O Papel da Oposição e a Necessidade de Mudanças
A professora Minerva Ribeiro também esteve presente e discorreu sobre a importância da oposição venezuelana. Para ela, Maria Corina Machado é uma figura central nesse contexto. “Ela deixou a Venezuela por questões de segurança. É uma mulher que tem lutado arduamente pela liberdade do nosso país, e seguimos ao lado dela”, expressou.
Minerva comentou sobre a situação de Edmundo González Urrutia, sugerindo que ele deveria assumir a presidência. “Ele enfrenta perseguições e sua família tem sofrido, inclusive com o genro preso há meses. Ele quer liderar, mas não possui liberdade para isso”, informou.
A respeito das últimas eleições, Minerva não hesitou em criticar a situação. “Era quase impossível que Maduro entregasse o poder. Sabíamos que se tratava de uma ditadura. As eleições anteriores foram manipuladas, e as recentes foram ainda mais escandalosas”, afirmou.
Ela também fez uma crítica à falta de participação dos venezuelanos que vivem no Brasil. “Os consulados foram fechados pela ditadura. Existem cerca de oito mil venezuelanos fora do país que desejariam votar, mas não tivemos essa oportunidade. Mesmo assim, a oposição teve um desempenho positivo”, disse.
Carreata e Mobilizações em Manaus
Além do ato no Largo de São Sebastião, os venezuelanos também realizaram uma carreata na Avenida Max Teixeira, na Zona Norte de Manaus. Motoristas de aplicativos se juntaram ao buzinaço, acompanhados de amigos e familiares, demonstrando a força da mobilização e da comunidade venezuelana.
