Reação do Vice-Governador e Implicações na Operação
MANAUS (AM) – O vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza, do Progressistas, se manifestou após o prefeito de Manaus, David Almeida, do Avante, mencioná-lo como responsável pela indicação da empresa Revoar Turismo para a compra de passagens aéreas rumo ao Caribe. Em uma agenda oficial realizada na quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, Tadeu declarou que não pretende “revidar” nem justificar suas ações em relação ao caso.
A Revoar Turismo foi alvo da Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) na última sexta-feira, 20 de fevereiro. A operação resultou na prisão do empresário Alcir Queiroga Teixeira Júnior, proprietário da agência, que é investigado por suposta ligação com uma organização criminosa envolvida em tráfico de drogas e outras atividades ilícitas.
Tadeu de Souza afirmou: “Quando eu abracei a vida pública, eu sabia que iria ser escrutinado dia e noite. Eu não vou revidar, eu não vou ficar fazendo qualquer tipo de justificação”. O vice-governador enfatizou que os fatos devem ser tratados “na esfera das instituições”, sugerindo que confia no trabalho das autoridades.
Controvérsias e Indicações
A declaração de Tadeu surgiu após Almeida, em uma fala realizada na segunda-feira, 23, afirmar que a escolha da Revoar Turismo foi feita com base na indicação do vice-governador. “Que culpa eu tenho de comprar passagem numa agência de viagem que me foi indicada pelo vice-governador Tadeu de Souza?”, questionou o prefeito. Ele seguiu com uma ironia: “Quando vocês forem comer num restaurante, cuidado, porque você não sabe se o dono do restaurante pode estar sonegando impostos”. A crítica de Almeida pareceu direcionada a criar uma conexão entre a indicação e a operação policial que investiga a Revoar.
Detalhes da Operação e Envolvimentos
A Operação Erga Omnes também resultou na prisão de Anabela Cardoso Freitas, assessora pessoal do prefeito Almeida. Relatórios policiais indicam que ela realizou uma transferência de R$ 1.351.942,00 ao empresário Alcir Queiroga, o que suscitou investigações por potenciais ligações com a organização criminosa. Essa movimentação financeira é considerada um dos pontos centrais na apuração da PC-AM.
O relatório que fundamentou as prisões aponta cerca de 24 indivíduos suspeitos de integrar a mesma infraestrutura criminosa e envolvimento em práticas de tráfico de drogas, em colaboração com criminosos de outros estados e a participação de agentes públicos. A transferência de valores, considerada atípica e desproporcional à renda de Anabela, levanta suspeitas de lavagem de dinheiro. De acordo com informações do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que foram obtidas pela REVISTA CENARIUM, não houve justificativa formal que pudesse explicar tal movimentação financeira.
Investigação em Andamento
As investigações da PC-AM incluíram consultas a cartórios de Manaus, na tentativa de identificar se houve a compra ou venda de imóveis que pudesse justificar a movimentação financeira encontrada, mas nenhuma transação foi registrada. A falta de documentação formal é vista pelas autoridades como um indício forte de ocultação de ativos, levando a Revoar Turismo a ser classificada como uma empresa fantasma no escopo da operação.
A assessora Anabela também figura como um dos “Principais Envolvidos” no Relatório de Inteligência Financeira (RIF) nº 132265 do Coaf, que analisou movimentações financeiras acima de R$ 70 milhões ligadas à rede investigada. A situação continua em desenvolvimento, enquanto as autoridades mantêm a investigação em curso para elucidar todos os aspectos e conexões envolvidas no caso.
