Transformação através do Jiu-Jitsu
Formado em Educação Física desde 2016, Victor César dedica-se há oito anos a ensinar jiu-jitsu para alunos no espectro autista. Desde 2018, mais de 40 crianças tiveram a oportunidade de participar de suas aulas na Gracie Barra Cidade Nova, em Manaus. Segundo Victor, a prática do jiu-jitsu proporciona uma rotina estruturada e previsível, aspectos fundamentais que ajudam as crianças a lidarem com emoções e frustrações.
O primeiro caso que acompanhou foi de um aluno do bairro São Raimundo, que começou as aulas aos oito anos. O garoto apresentou diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em nível de suporte elevado. Victor lembra que, na época, a criança enfrentava frequentes crises emocionais e tinha dificuldades significativas na interação social.
“Ele apresentava comportamentos impulsivos e repetitivos, e dependia muito da presença da mãe. A família estava sempre por perto para intervir”, relembra o professor. O processo de adaptação foi gradual, com as primeiras aulas focadas em comandos simples e ambientação ao espaço. Em apenas três meses, o aluno já conseguia participar de atividades em grupo.
Victor destaca que os primeiros sinais de progresso aparecem na capacidade de autorregulação. A criança começa a se acalmar mais rapidamente e a aceitar orientações. Depois, vem a disciplina, como saber esperar a sua vez e seguir instruções simples. Com o tempo, a comunicação se desenvolve de forma mais natural.
Ele relata que houve uma redução significativa nos comportamentos de autoagressão e uma melhora na convivência familiar. O acompanhamento se estendeu por anos e, hoje, aos 17 anos, o aluno foi graduado e já faz parte de turmas regulares em outra escola.
“A graduação foi um marco. Não se tratou apenas de uma conquista técnica, mas de uma vitória social. Ele estava inserido na turma, convivia com os colegas e evoluía”, comemora Victor.
