Reflexões sobre a trajetória política de Wilson Lima
Após mais de seis anos à frente do governo do Amazonas, Wilson Miranda Lima se prepara para encerrar um ciclo que poucos governadores contemporâneos conseguiram manter por tanto tempo. Essa jornada não se resume apenas à soma de um mandato completo e parte significativa de um segundo, mas também a um período de constante exposição, decisões sob pressão e enfrentamento de crises que testaram a resiliência da administração pública no Estado. Assim, a história já começa a traçar um balanço da sua passagem pelo Governo do Amazonas.
A trajetória de Lima até o Palácio do Governo é realmente distinta. Originário do jornalismo televisivo, ele se destacou como um comunicador carismático e com uma linguagem acessível, transformando sua visibilidade na mídia em capital político. Milhares de amazonenses que antes o viam apenas como apresentador, agora passaram a considerá-lo uma alternativa viável nas eleições, o que culminou em sua escolha para o cargo e sua subsequente reeleição, tudo isso fora das estruturas políticas tradicionais da região.
No entanto, seu primeiro mandato foi abruptamente afetado por uma crise que transcendeu qualquer fronteira local. A pandemia da Covid-19 atingiu o Amazonas de maneira devastadora, revelando vulnerabilidades históricas do sistema de saúde e impondo desafios sem precedentes à gestão pública. Sem vacinas disponíveis, protocolos definidos ou respostas rápidas da ciência, o governo teve que operar em um cenário de incerteza total, lidando com uma pressão social intensa.
A crise do oxigênio, que se tornou um símbolo desse período crítico, evidencia a complexidade da situação. Embora as responsabilidades administrativas tenham sido amplamente debatidas — e essa discussão persista —, é inegável reconhecer os fatores objetivos que agravaram a crise, como o isolamento geográfico do estado, a dependência de longas rotas logísticas e uma crise nacional de abastecimento. A realidade amazônica impôs barreiras severas à capacidade de resposta do poder público, tornando ainda mais evidente a fragilidade do sistema diante de situações extremas.
Agora, ao olhar para o futuro, a dúvida que paira é: Wilson Lima cumprirá integralmente seu mandato ou optará por uma transição antecipada para novos projetos políticos? Somente o tempo poderá responder a essa questão. O que é certo é que a sua administração deixará marcas profundas, tanto positivas quanto negativas, que serão analisadas pela história, que, por sua vez, sempre separa a crítica temporária do julgamento duradouro.
