Isenção de Vistos Impulsiona Parcerias Comerciais
A recente aproximação entre Brasil e China, especialmente com a isenção de vistos para cidadãos chineses, surge como uma oportunidade promissora para o setor produtivo da Zona Franca de Manaus. Para os empresários da região, a chance de explorar novas parcerias e negócios está se tornando realidade. A opinião é do vice-presidente da Bracham (Associação de Empresas Brasileiras na China), Jessé Guimarães, que compartilhou suas considerações em uma reunião na sede da Associação Comercial do Amazonas (ACA), da qual nossa equipe participou.
No final de janeiro, o governo federal anunciou a isenção de vistos por 30 dias para algumas categorias de cidadãos chineses, como resposta à política de isenção adotada pela China em junho de 2025. “É um marco histórico: pela primeira vez, o Brasil concede o Visto Free aos empresários chineses. Isso pode multiplicar por dez as oportunidades de investimento da China no Brasil. É fundamental que a ACA capitalize esse momento, estabelecendo contatos e reuniões com os empresários chineses que estarão aportando no Brasil, buscando implantar negócios ou formar joint ventures”, destacou Guimarães, celebrando a novidade.
Nos últimos dias, Guimarães tem se dedicado a uma intensa agenda de reuniões com o setor produtivo local, participando também de eventos promovidos por outras entidades, como o Cieam. Ele sugere que a ACA, a mais antiga instituição empresarial do Amazonas, assuma a liderança nesse movimento. “Não podemos agir de maneira desorganizada. A visão chinesa demanda centralização. Precisamos de uma coordenação eficaz para que comerciantes, prestadores de serviços e representantes industriais possam se beneficiar plenamente dessas novas oportunidades. É hora de ampliar o nível de negócios na nossa região”, enfatizou.
História e Representatividade da ACA
Bruno Loureiro Pinheiro, presidente da ACA, abriu a reunião destacando a longa trajetória da associação, que não abriga apenas empresas do comércio, mas também da indústria e de outras áreas. “Fundada em 1871, a ACA é a oitava entidade de classe mais antiga do Brasil, surgindo para defender os interesses de uma pequena cidade que contava com 17 mil habitantes, menos do que temos atualmente em algumas partes do Centro. A ACA nasceu para reivindicar melhorias para os comerciantes locais”, explicou.
Desde então, a ACA tem se destacado na defesa dos interesses do setor produtivo do Amazonas, acompanhando as oscilações econômicas do estado, desde os ciclos da borracha até a implementação da Zona Franca de Manaus em 1967. “É um mito pensar que a Zona Franca de Manaus se restringe apenas à indústria. Nos primeiros dez anos, o comércio teve um papel fundamental e muitos empresários, prosperando, trouxeram suas fábricas para a região. Contudo, após as mudanças econômicas da década de 90, o comércio enfrentou desafios significativos”, relatou Bruno Pinheiro.
Oportunidades de Parcerias
Em sua apresentação, Jessé Guimarães abordou as relações Brasil-China e as perspectivas para a Zona Franca de Manaus. Ele revelou que diversas empresas chinesas, especialmente do setor industrial, têm buscado a Bracham para encontrar parceiros brasileiros, com o claro objetivo de expandir seus negócios no Brasil. “A expectativa de crescimento é real, agora que os chineses têm o visto simplificado. Anteriormente, a aprovação de vistos era extremamente restritiva, com apenas um em cada dez pedidos sendo aceitos”, comparou.
Formado em engenharia e natural de Manaus, Guimarães se estabeleceu na China em 2011 e está retornando ao Brasil para compartilhar suas experiências e promover colaborações. Ele destaca que a Bracham, que já recebe investidores brasileiros interessados em oportunidades na China, pode facilitar essas conexões. “Shenzhen, por exemplo, é um polo tecnológico onde você pode desenvolver um produto em 24 horas. Por que Manaus não pode se inserir desses mercados?”, questionou.
Setores em Alta no Mercado
Além da indústria, Guimarães aponta o comércio, serviços de alimentação, transporte e infraestrutura como áreas promissoras para novos negócios no Amazonas. “Recentemente, três proprietários de bancos me procuraram, e o potencial investimento que deve entrar no Brasil é estimado em R$ 200 bilhões. Temos também companhias de navegação querendo desenvolver parcerias aqui, além de uma indústria de calçados que busca colaboração para montar uma fábrica localmente”, detalhou.
Com um canal de diálogo privilegiado com o governo chinês, a Bracham está preparada para acompanhar de perto as visitas diplomáticas e facilitar as relações comerciais. Guimarães finaliza enfatizando que a China possui uma rica história de modernidade e inovação, sendo uma das civilizações mais antigas em práticas agrícolas e comerciais. “Essas características fazem da China um parceiro estratégico para o Brasil”, concluiu.
