Marleide Sales Fala Sobre o Acidente
A paratleta Marleide Sales da Silva, de 52 anos, passou por uma experiência traumática durante uma corrida de rua em Manaus, realizada no último domingo (8) para celebrar o Dia Internacional da Mulher. Infelizmente, ela foi atropelada por um motorista embriagado enquanto competia. Apesar das fraturas na clavícula, Marleide expressa gratidão por ter sobrevivido ao acidente. “Eu sou um milagre de Deus várias vezes”, afirma.
O incidente ocorreu no cruzamento da Avenida João Valério com a Avenida Maceió, no bairro Adrianópolis. Enquanto corria, Marleide foi surpreendida por um carro que, mesmo com a sinalização e orientações dos agentes de trânsito, ignorou as ordens e invadiu o percurso, colidindo com a atleta. É possível assistir ao momento do atropelamento em vídeo que circula nas redes sociais.
Em uma entrevista à Rede Amazônica, Marleide compartilhou suas lembranças do acidente. Ela, que já conquistou o ouro na categoria PCD feminino da São Silvestre de 2025, contou que se sentia animada antes da corrida. Porém, ao passar pela Avenida Maceió, foi atingida por trás e perdeu a consciência.
“Ali eu perdi os sentidos e acordei já na ambulância. Alguém me contou que eu dei o celular, a senha e o nome da minha filha para que procurassem ela, mas não lembro dessa parte. Só recordo do atendimento na ambulância”, revelou.
Impacto e Recuperação
O impacto do atropelamento destruiu completamente a cadeira de rodas que Marleide utilizava para competir. Apesar dos danos materiais, ela considera que poderia ter sido muito pior. “Foi um livramento de Deus porque se eu tivesse adiantado um pouco mais, o carro teria atingido o meio da minha cadeira e provavelmente eu não estaria viva. Eu só chorava, sentindo muita dor. Ainda estou com dor, mas sob efeito de remédios”, desabafa.
Além das fraturas nas clavículas, Marleide também sofreu ferimentos por todo o corpo. Ela foi levada ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, onde recebeu atendimento médico e, após a estabilização, foi liberada. A paratleta agora enfrenta o desafio de recuperar sua rotina, que exige uma independência que, temporariamente, ela não pode ter.
“Como cadeirante, dependo apenas dos meus braços. Faço força para tudo, até ir ao banheiro, e agora, com as duas clavículas quebradas, estou limitada. Não consigo nem comer sozinha, não consigo levantar a colher até a boca”, relata Marleide.
Justiça e Segurança no Trânsito
Enquanto se recupera, Marleide deseja que a justiça seja feita em seu caso. “Para que o que aconteceu comigo não se repita, a lei precisa ser mais rigorosa e deve haver punição. Espero que esse caso não se torne apenas mais um número em estatísticas”, destacou.
Após o atropelamento, o motorista tentou fugir, mas foi detido por agentes do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) poucos metros adiante. O teste do bafômetro realizado no suspeito apontou 0,54 miligramas de álcool por litro de ar expelido, um valor acima do permitido por lei. Ele foi levado para o 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP) para os procedimentos legais.
A defesa do motorista não quis se pronunciar sobre o caso em contato feito pela equipe de reportagem da Rede Amazônica. Em nota, a Federação de Atletismo do Amazonas (FEDAE-AM) afirmou que o evento foi realizado seguindo todas as normas de segurança exigidas para corridas de rua e que a atleta recebeu apoio imediato no local do acidente.
Este triste episódio traz à tona a necessidade de um debate mais profundo sobre a segurança no trânsito e a responsabilidade dos motoristas, especialmente em eventos que envolvem a vida e a integridade de pessoas vulneráveis.
