O Festival de Parintins e sua Relevância Econômica
O Festival de Parintins é reconhecido como o maior espetáculo folclórico a céu aberto do mundo, mas seu significado vai além da famosa disputa entre os bois Caprichoso e Garantido durante três noites intensas. Por trás do brilho e da festa, o evento representa o motor financeiro para uma extensa cadeia produtiva formada por artesãos locais que dedicam seu talento e trabalho para manter viva essa tradição.
Em 2026, o festival está marcado para os dias 26, 27 e 28 de junho, consolidando mais um capítulo da rivalidade centenária entre os bois-bumbás. A pesquisa realizada em 2024 pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) destacou o impacto econômico fundamental dessa atividade para centenas de famílias tradicionais da região.
Junho, o “Mês Ouro” dos Artesãos
O estudo, conduzido pelo pesquisador Egilson da Silva Rocha no curso de Administração da UFAM, revelou que 76,4% dos artesãos concentram suas vendas quase que exclusivamente durante o mês do festival, chamado de “Junho Ouro”. Para eles, essa é a principal oportunidade anual de escoar a produção artística, garantindo renda imediata e o sustento de comunidades periféricas, ribeirinhas e indígenas.
Além disso, 11,8% dos artesãos complementam seus ganhos ao longo do ano aproveitando o turismo de cruzeiros que fazem paradas no porto de Parintins. No entanto, a maior parte das famílias depende diretamente do faturamento concentrado em junho, com uma renda média mensal entre R$ 1.500 e R$ 2.000 advinda do artesanato.
O Artesanato Ganha Espaço no Mercado de Luxo em Manaus
Enquanto Parintins mantém o artesanato como base do sustento local, Manaus tem visto o segmento crescer em sofisticação, com ateliês produzindo peças que alcançam até R$ 1,5 mil. Adereços, cocares e biojoias se transformam em artigos exclusivos, especialmente para eventos que antecedem o festival.
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A artesã Marília Bezerra, formada em Ciências pela UFAM, é um exemplo dessa transformação. Ela largou a rotina acadêmica para se dedicar integralmente à confecção e ao ensino do artesanato, e relata que o período do festival aumenta sua receita em até 30%.
“As vendas aumentam muito. Recentemente, em um final de semana com uma festa em Manaus, trabalhei sem parar para entregar as peças. Isso ajuda bastante, elevando a renda da casa entre 20% e 30%”, comenta Marília.
Preços e Complexidade das Peças Artesanais
Os valores das peças variam conforme a técnica, o design e o tempo necessário para a produção manual. Brincos de argola ou escama começam em R$ 50, enquanto coletes estruturados custam entre R$ 380 e R$ 400. Acessórios feitos com escamas de peixe podem chegar a R$ 850, devido ao alto custo do material e do beneficiamento.
Vestidos com trama de miçangas são os mais valorizados, custando entre R$ 1.200 e R$ 1.500, pois demandam cinco a seis dias de trabalho artesanal intenso. Para o Festival de 2026, a tendência de moda une a estética dos bois com as cores da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, reforçando a valorização cultural e o apelo comercial.
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O Trabalho Detalhado do Artesanato e a Rotina Intensa
Marília destaca que o tempo para produzir varia conforme a peça. “O brinco de pena é mais rápido, mas vestidos de miçanga levam de três a cinco dias para ficarem prontos. Nosso trabalho é minucioso, ponto por ponto. Durante o festival, trabalho sem parar, dia e noite”, explica a artesã, ressaltando que o cliente valoriza a exclusividade.
Ela iniciou no artesanato há quatro anos, inicialmente fazendo peças para uso próprio. A demanda aumentou quando amigos começaram a pedir acessórios similares, e logo percebeu que poderia transformar o hobby em renda.
Geração de Emprego e Influência das Redes Sociais
O crescimento das encomendas também promove geração de empregos locais. Marília já conta com duas ajudantes para dar conta da demanda crescente e planeja expandir a equipe para o próximo ano.
O chamado “Efeito Cunhã” impulsiona ainda mais o setor, com personalidades como as cunhãs-porangas e ex-BBBs Isabelle Nogueira e Marcele Albuquerque influenciando a moda regional. “Tudo o que elas usam vira tendência. Isabelle valoriza muito a escama de peixe, enquanto Marcele trouxe as bolas de madeira para o centro das atenções. Elas são fundamentais para valorizar o trabalho dos artesãos”, destaca a artesã.
