Reunião Decisiva para o Futuro da Amazonas Energia
MANAUS (AM) – O futuro da Amazonas Energia S.A., a concessionária encarregada da distribuição de eletricidade em todo o Estado, será determinado nesta quinta-feira, 19. Os acionistas se reunirão em uma Assembleia Geral Extraordinária na sede da companhia, localizada em Manaus. O objetivo principal do encontro é deliberar sobre uma mudança estrutural no controle da empresa, que acumula uma dívida superior a R$ 10 bilhões.
A reunião deve formalizar a venda da concessionária para um novo grupo de investidores e aprovar a entrada imediata de R$ 134.075.248,46 na empresa. Esse capital será gerado pela emissão de mais de 233 milhões de novas ações, vendidas a aproximadamente R$ 0,57 cada. Este movimento marca a etapa final de um processo de reestruturação destinado a evitar a falência da companhia, que já enfrenta anos de desequilíbrio financeiro e dívidas acumuladas, incluindo passivos com o governo estadual.
Além disso, a reorganização deverá resultar em uma mudança total na administração da empresa. O plano prevê a destituição da atual diretoria executiva e dos conselhos administrativos, que serão substituídos por novos gestores indicados pelos investidores. A proposta também contempla a possibilidade de alteração do nome da empresa, simbolizando um recomeço institucional para os 694 mil consumidores atendidos pela concessionária em todo o Amazonas.
A assembleia representa, portanto, um momento crucial para definir o futuro da distribuidora responsável pelo fornecimento de energia a 62 municípios do estado. A aprovação da operação abrirá as portas para novos investidores e para a implementação de um plano de recuperação financeira, visando estabilizar a operação da distribuidora.
Contexto da Crise Financeira da Amazonas Energia
Para entender a situação atual da Amazonas Energia, é necessário voltar à década passada. Em 2010, a concessionária atendia aproximadamente 694 mil unidades consumidoras e apresentava um faturamento anual em torno de R$ 1,3 bilhão, conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). No entanto, já naquela época, relatórios indicavam dificuldades estruturais que afetavam o equilíbrio financeiro da empresa.
Dentre os principais problemas estavam o elevado índice de perdas não técnicas, que se referem à energia distribuída sem gerar receita, abrangendo furtos, fraudes em medidores e falhas de faturamento. Em 2010, este índice alcançava 36,74% da energia fornecida para consumidores de baixa tensão, resultando em significativas perdas financeiras para a concessionária.
Com o tempo, essa situação se agravou, levando o governo federal a criar a Medida Provisória 1.232/2024, cujo intuito era evitar o colapso dos serviços de distribuição de energia no estado. A medida permitiu que o controle da concessionária fosse transferido por um valor simbólico, desde que um novo investidor estivesse disposto a assumir a operação e realizar aportes financeiros.
Camadas de Endividamento da Amazonas Energia
A crise financeira da Amazonas Energia pode ser analisada em três camadas principais de endividamento. A primeira delas está relacionada à dívida financeira total, estimada em cerca de R$ 10,3 bilhões em 2024, englobando empréstimos, obrigações com fornecedores de energia e compromissos regulatórios do setor elétrico.
A segunda camada envolve o passivo tributário com o Governo do Amazonas, estimado em aproximadamente R$ 6 bilhões, principalmente associado ao ICMS sobre a energia elétrica. Parte dessa dívida já foi inscrita na dívida ativa estadual, enquanto outra parte continua em discussão administrativa e judicial.
Por último, uma terceira dimensão do problema financeiro se reflete nas negociações sobre a transferência da concessão de energia e na avaliação de investidores interessados na empresa. O passivo total pode ultrapassar R$ 11 bilhões, dependendo da contabilização de obrigações regulatórias e dívidas com geradoras e o sistema elétrico nacional.
Desafios e Oportunidades para a Amazonas Energia
O aumento do endividamento da Amazonas Energia está intimamente ligado ao processo de privatização da antiga distribuidora estatal em 2018, quando a empresa foi vendida pela Eletrobras para um grupo privado. Essa transação ocorreu dentro do programa federal de desestatização das distribuidoras, que visava a venda de seis empresas de distribuição, especialmente na região Norte.
A nova administração assumiu a empresa com o compromisso de realizar investimentos significativos e implementar um plano de recuperação. No entanto, as dificuldades estruturais da empresa, como o alto índice de perdas de energia e a extensa área de concessão, continuaram a comprometer sua capacidade de recuperação financeira.
Em meio a essa crise, a Amazonas Energia passou a despertar o interesse de investidores privados. Um dos grupos mencionados nas negociações é a Âmbar Energia, que propôs um plano de reestruturação financeira visando a renegociação de dívidas e a ampliação da presença no setor elétrico.
O potencial estratégico da concessão torna a distribuidora um ativo valioso, dada sua importância no fornecimento de energia a um estado de proporcionalidade continental.
