Desigualdades Regionais e Oportunidades de Crescimento
A Zona Franca de Manaus (ZFM) tem sido o principal motor econômico do Amazonas, mas o desenvolvimento da Amazônia enfrenta desafios complexos que vão além do polo industrial da capital. O estado, com uma vasta extensão de mais de 1,5 milhão de km², abriga 62 municípios, muitos dos quais em áreas de difícil acesso, revelando limitações históricas que dificultam a mobilidade e a integração econômica.
Durante o talk “Vozes da Amazônia — Desafios e oportunidades para o Amazonas”, promovido pelo Metrópoles em colaboração com o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), especialistas debateram as carências estruturais da região. O evento, conduzido pela jornalista Yngrid Duarte, contou com a presença do senador Eduardo Braga (MDB-AM), do presidente do Conselho Superior do CIEAM, Luiz Augusto Rocha, e do professor Márcio Holland, coordenador dos Diálogos Amazônicos, que trouxeram à tona a urgência por políticas públicas que considerem as particularidades do interior do estado.
Logística e Acesso: Um Desafio Aglomerante
No interior do Amazonas, a logística ainda depende amplamente de longas viagens fluviais ou aéreas, encarecendo o transporte e dificultando o acesso a serviços básicos. Durante o evento, o senador Braga destacou a realidade de cidades como São Gabriel da Cachoeira, onde a população, predominantemente indígena, enfrenta desafios logísticos profundos.
“Cerca de 90% da população de São Gabriel é indígena e cada região possui vocações econômicas distintas que precisam ser desenvolvidas”, afirmou Braga. Ele enfatizou a importância de manter a infraestrutura, como o aeroporto de São Gabriel da Cachoeira, essencial para viabilizar o turismo e integrar o interior à economia regional.
Infraestrutura e Políticas Públicas: O Caminho a Seguir
A geografia única da Amazônia apresenta dificuldades que vão além da infraestrutura geralmente encontrada em outras partes do Brasil. O professor Márcio Holland, durante o debate, mencionou que a falta de infraestrutura impacta a produtividade da economia brasileira em seu conjunto. “A Amazônia precisa de uma política direcionada, que considere seu contexto único”, afirmou Holland, ressaltando o necessário equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
Educação e Inovação como Catalisadores da Mudança
A educação e a inovação tecnológica são fundamentais para transformar a economia amazônica. Luiz Augusto Rocha, do CIEAM, destacou que a sustentabilidade da infraestrutura científica do estado depende da própria indústria, citando a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que opera em todos os 62 municípios. “Esse ano, foram arrecadados cerca de 800 milhões de reais pela indústria que sustentam essa universidade”, comentou.
Além disso, investimentos em pesquisa e desenvolvimento, respaldados pela Lei de Informática, movimentam mais de R$ 4 bilhões, fortalecendo a capacidade de inovação da região. O surgimento de núcleos de formação tecnológica, como o Instituto Militar de Engenharia (IME), também contribui para preparar profissionais para os novos desafios econômicos.
A Economia Digital: Uma Nova Fronteira
Entre as oportunidades discutidas, a expansão da economia digital desponta como um segmento promissor. Os participantes ressaltaram o potencial da Amazônia para abrigar data centers, fundamentais para o funcionamento da internet e de serviços digitais. “A Amazônia possui recursos naturais abundantes, essenciais para o funcionamento de data centers, que são consumidores intensivos de energia e água”, apontou Luiz Augusto, ressaltando que essa combinação estratégica poderia posicionar a região como protagonista em novos setores da economia.
Um Modelo Industrial em Evolução Constante
O debate também destacou a resiliência do modelo industrial da Zona Franca de Manaus. O senador Braga argumentou que a flexibilidade do processo produtivo, permitida por legislações como a Lei n.º 8.387/91, é crucial para manter a competitividade do polo industrial diante das inovações tecnológicas. “Estamos diante de um dos parques industriais mais modernos do Brasil”, alegou.
Por fim, o encontro reforçou a premissa de que a Zona Franca não é apenas um polo industrial consolidado, mas um modelo em constante evolução, capaz de se adaptar às novas dinâmicas da economia global.
